Representante da ONU para a Síria continua negociando solução para violência no país

Lakhdar Brahimi encontrou-se com representantes dos Estados Unidos e Rússia para discutir uma solução política para relação à crise síria.

Lakhdar Brahimi (Centro) com o Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov (direita), e o Vice-Secretário de Estado dos Estados Unidos, William Burns, em Genebra. ONU Foto/Jean-Marc Ferré

O Representante Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe sobre a Crise Síria, Lakhdar Brahimi, renovou hoje (11) seu pedido para o fim rápido do derramamento de sangue e destruição no país do Oriente Médio, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em quase dois anos de violência.

Brahimi teve hoje em Genebra, na Suíça, uma segunda rodada de conversações com o Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov, e o Vice-Secretário de Estado dos Estados Unidos, William Burns. O enviado da ONU tem se empenhado em reuniões como parte de seus esforços para alcançar uma solução política negociada para acabar com o conflito na Síria.

“Em nossa opinião, não há solução militar para este conflito”, disse Brahimi , acrescentando que  Bogdanov e  Burns tinham acordado durante as conversas de hoje sobre a necessidade de se chegar a uma solução política baseada no comunicado de Genebra de 30 de junho de 2012. Dentre os itens do comunicado está o que exige o estabelecimento de um organismo de transição de governo composto por membros do atual governo e da oposição e outros grupos, como parte de princípios e orientações acordados para uma transição política liderada pela Síria. Brahimi disse que continuará a colaborar com todas os atores do conflito na Síria, bem como outras partes interessadas na região e internacionalmente.

O funcionário da ONU tem este mês um encontro programado com o Conselho de Segurança para informar sobre suas consultas com o Governo sírio e representantes da oposição. Os 15 membros do Conselho não conseguiram chegar a um acordo sobre um curso de ação em relação ao conflito.

Mais de 60 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas na Síria e centenas de milhares foram deslocadas desde que o levante contra o Presidente Bashar al-Assad começou em março de 2011. De acordo com estimativas da ONU, o número de pessoas que necessitam de ajuda humanitária no interior do país quadruplicou entre março e dezembro de 2012, de 1 para 4 milhões. O planejamento de ajuda humanitária da ONU estima que até um milhão de refugiados sírios vão precisar de ajuda durante o primeiro semestre de 2013,  a maioria deles localizados na Jordânia, Iraque, Líbano, Turquia e Egito.