Representante da ONU visita região dos Grandes Lagos para reforçar esforços de paz

Mary Robinson passa por cinco países, incluindo a República Democrática do Congo, para apoiar a implementação de acordo regional de paz. Só no país, 6,4 milhões necessitam de ajuda de emergência.

A enviada especial da ONU Mary Robinson se encontra com vítimas de violência sexual em um hospital em Goma, no leste da RDC, em abril deste ano. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

A enviada especial da ONU Mary Robinson se encontra com vítimas de violência sexual em um hospital em Goma, no leste da RDC, em abril deste ano. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

A enviada especial das Nações Unidas para a região dos Grandes Lagos, na África, começou na segunda-feira (25) uma missão de uma semana para ajudar a reforçar os esforços de paz.

Mary Robinson, que é representante do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitará Tanzânia, Ruanda, República do Congo, Uganda e a República Democrática do Congo (RDC) para fortalecer o chamado diálogo de Kampala, capital de Uganda, onde o grupo rebelde M23 e o governo da RDC não conseguiram chegar a um acordo no início deste mês.

Ela também busca fomentar o progresso na implementação dos compromissos do Quadro de Paz, Segurança e Cooperação para a RDC e região – classificado por Robinson como “um quadro de esperança” e assinado por 11 países.

“A evolução ao longo do mês passado trouxe esperança renovada para as pessoas no leste da RDC”, disse Robinson. “São necessários esforços suplementares para garantir que o país esteja livre de todas as forças negativas e que a segurança seja restabelecida de forma sustentável. O progresso na agenda política maior é agora uma necessidade igualmente urgente.”

Enviada especial da ONU para a região dos Grandes Lagos, Mary Robinson. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

Enviada especial da ONU para a região dos Grandes Lagos, Mary Robinson. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

“Temos que trabalhar para restaurar a confiança e tomar as medidas que são necessárias para resolver as causas profundas do conflito e da instabilidade para a região”, adicionou.

O leste da RDC sofre há décadas com combates entre o governo e grupos armados, o mais recente promovido em abril pelo grupo M23, com o apoio de soldados que desertaram do Exército.

No ano passado, o conflito deslocou mais de 100 mil pessoas, agravando uma crise humanitária na região – que inclui 2,6 milhões de deslocados internos e 6,4 milhões que necessitam de alimentos e ajuda de emergência.

Robinson começou sua missão pela Tanzânia, um dos signatários do quadro, ao se reunir nesta segunda-feira (25), na cidade de Dar es Salaam, com o presidente Jakaya Kikwete e outras autoridades e apontar a necessidade de reforçar a cooperação e o diálogo político permanente entre os signatários do acordo.

Nesta terça-feira (26) ela visitou Ruanda para discutir o diálogo de Kampala e a implementação do quadro, dirigindo-se em seguida para a República do Congo. Entre os dias 27 e 29 de novembro, Robinson visita a RDC, incluindo a capital Kinshasa e a principal cidade do leste do país, Goma.

No dia 30 de novembro, a representante da ONU vai participar da cúpula de chefes de Estado da Comunidade da África Oriental (EAC, na sigla em inglês), em Kampala, onde pretende mobilizar apoio internacional para as organizações regionais, como parte da agenda ampliada do acordo que busca uma maior integração regional.