Representantes da ONU expressaram repúdio às execuções de 47 pessoas na Arábia Saudita

Chefe de Direitos Humanos da ONU lembra que um terço dos sentenciados foram executados em apenas um dia. Para ele, crescimento de penas de morte é “perturbador”, já que alguns dos acusados não cometeram crimes violentos.

Representantes da ONU condenaram a execução de 47 pessoas na Arábia Saudita. Foto: Flickr/Patrick Feller (cc)

Representantes da ONU condenaram a execução de 47 pessoas na Arábia Saudita. Foto: Flickr/Patrick Feller (cc)

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e outros representantes da organização expressaram profundo repúdio e lamento pelas execuções que ocorreram neste sábado (2) de 47 pessoas na Arábia Saudita, incluindo o xeique Nimr Baqir al-Nimr. A declaração foi seguida de um pedido pela substituição de todas as penas de morte por sentenças mais leves.

“O xeique al-Nimr e muitos dos outros prisioneiros executados foram condenados depois de julgamentos que levantaram sérias preocupações sobre a natureza das acusações e a imparcialidade do processo”, afirmou o porta-voz de Ban Ki-moon, que também mostrou abominar as demonstrações de violência contra a embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, em resposta à morte do clérigo.

O chefe da ONU apontou para o movimento crescente da comunidade internacional pela abolição da pena de morte e pediu cautela na reação à execução do xeique. Ele também apelou aos líderes regionais para que trabalhem para evitar tensões sectárias.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, declarou estar preocupado com o aumento recente de penas de morte na Arábia Saudita, com, ao menos, 157 pessoas executadas em 2015, comparada a 90 em 2014, e números ainda menores nos anos anteriores.

“Agora nós vemos quase um terço do total de 2015 executados em um só dia”, apontou Al Hussein. “Isso é um crescimento muito perturbador, especialmente quando alguns dos sentenciados à morte foram acusados de crimes não violentos”, acrescentou.

Desde 2007, a Assembleia Geral da ONU adotou uma série de resoluções pedindo aos Estados que ainda adotam esta prática a decretarem uma moratória às execuções, tendo em vista a abolição deste tipo de sentença por completo.