Representantes da ONU ressaltam papel da cultura na agenda de desenvolvimento global

Presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremic afirmou que falta de consenso para acordos de desenvolvimento sustentável pode estar relacionada à ausência de um componente cultural.

Presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremic. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremic. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Representantes das Nações Unidas destacaram nesta quarta-feira (12), em reunião da Assembleia Geral da ONU, a necessidade de reconhecer o papel vital da cultura na redução da pobreza e para o crescimento sustentável. Eles pediram a garantia de que este papel esteja integrado à agenda de desenvolvimento pós-2015, ano prazo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

“A importância do vínculo entre cultura e desenvolvimento para a agenda pós-2015 ainda não está totalmente compreendida”, disse o presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremic, que convocou o debate em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Jeremic observou que não foi possível chegar a um consenso sobre como construir as bases de acordos sobre o desenvolvimento sustentável nas discussões ocorridas nos últimos meses. “A diferença entre meios e fins ainda tem de ser superada. Na minha opinião, em parte porque o componente cultural tem estado muito ausente de nossas discussões.”

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou a necessidade de perceber que não há um modelo único de desenvolvimento. “Não é suficiente definir metas globais para todos — temos de nos adaptar a cada contexto. Muitos programas de desenvolvimento bem-intencionados falharam porque não levaram em conta os contextos culturais. Este deve ser um princípio geral para todos os esforços de desenvolvimento.”

Segundo Ban, o desenvolvimento nem sempre tem focado nas pessoas como deveria e, para mobilizá-las, é preciso abraçar sua cultura, promovendo o diálogo, ouvindo as vozes individuais e assegurando que a cultura e os direitos humanos informem o novo curso para o desenvolvimento sustentável.

Em seu discurso, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse que ninguém gostaria de viver em um mundo sem música, arte ou dança ou com apenas uma língua.

“A cultura é o que somos. É a fonte da imaginação coletiva, seu significado e pertencimento. É também uma fonte de identidade e coesão em um momento de mudança. É uma fonte de criatividade e inovação”, disse Bokova.

“Precisamos agradecer ao poder da cultura ao formarmos uma nova agenda global em seguimento a 2015”, completou Bokova. “Nenhuma sociedade pode brilhar sem a cultura e não há desenvolvimento sustentável sem ela.”