Representantes governamentais de Brasil, Cabo Verde e Colômbia trocaram experiências e perspectivas sobre as políticas de promoção da saúde nas escolas durante a 22ª Conferência Mundial da Saúde, realizada em Curitiba (PR), e que teve a participação de representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Na América Latina e no Caribe, cerca de 85 milhões de crianças recebem café da manhã, almoço e lanche em suas escolas diariamente. Refeições escolares são muitas vezes a única refeição regular e nutritiva que uma criança recebe. Foto: PMA/Mike Bloem
Especialistas governamentais de Brasil, Cabo Verde e Colômbia trocaram experiências e perspectivas para as políticas de promoção da saúde nas escolas durante a 22ª Conferência Mundial da Saúde, realizada em Curitiba (PR), e que teve a participação de representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).
A coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE) do Ministério da Saúde brasileiro, Danielle Cruz, deu detalhes sobre a iniciativa do governo brasileiro, criada em 2007, que tem como proposta articular ações dos Ministérios da Educação e da Saúde.
“Com o programa, fazemos desde medição de peso e altura (do aluno) a testes de acuidade visual e auditiva. Também abordamos temas como alimentação saudável, prática de atividade física, educação sexual, entre outros”, declarou Cruz.
Já o representante do Ministério da Educação e Desporto de Cabo Verde, Henrique Fernandes, apresentou o projeto Escola Promotora de Saúde (EPS), adotado em seu país.
Segundo ele, a iniciativa contempla alimentação e nutrição (incluindo a regulação da venda de alimentos dentro e ao redor das escolas), ambiente saudável, atividade física, visitas de saúde escolar, saúde bucal e competências para a vida (incentivar o consumo de alimentos saudáveis pelos alunos).
“Ter boa saúde facilita e melhora a aprendizagem, além de diminuir a evasão escolar”, explicou por sua vez a diretora do Instituto de Programas Interdisciplinares para a Atenção Primária (Proinapsa), Blanca Mantilla, da Colômbia.
Segundo ela, os diferentes contextos exigem distintas formas de executar ações. “Nós não temos, como no Brasil, um sistema único de saúde, o que às vezes causa alta rotatividade de profissionais, dificultando a gestão”, afirmou.
Importância da cooperação internacional
A coordenadora da unidade técnica de determinantes sociais e riscos para a saúde, doenças crônicas não transmissíveis e saúde mental da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Zohra Abaakouk, destacou o importante papel da cooperação internacional na execução de programas como estes.
“A experiência do Brasil ajudou a implantar o projeto em Cabo Verde, com apoio da OPAS/OMS”, disse. “E o programa da Colômbia fez relação com várias agendas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É fundamental fazer essa integração dos programas dentro das grandes agendas”, analisou.
Saúde da população negra
O representante da OPAS/OMS, Joaquín Molina, apresentou no mesmo evento um painel temático sobre saúde da população negra, no qual apresentou uma publicação produzida pelo Ministério da Saúde em colaboração com a agência da ONU.
Segundo ele, a região das Américas, apesar do crescimento econômico e da redução da pobreza nas últimas décadas, continua sendo a mais desigual do mundo. Nesse cenário, a população afrodescendente e os indígenas são as mais apresentam altos níveis de pobreza, desemprego, analfabetismo e migração, associados com menor acesso aos serviços de saúde e saneamento ambiental.
Aproximadamente 30% da população das Américas é composta por afrodescendentes. São mais de 200 milhões de pessoas vivendo em condições desfavoráveis, que afetam todas as esferas de suas vidas.
“A OPAS/OMS no Brasil une-se ao Ministério da Saúde brasileiro na busca da superação desses desafios. Esta publicação tem o importante papel de dar visibilidade às experiências bem sucedidas desenvolvidas no país, além de apontar os desafios e as oportunidades para reduzir as desigualdades na saúde”, afirmou Molina.