República Centro-Africana: ONU continua investigações sobre abuso sexual

Soldados franceses foram acusados de abusar sexualmente de crianças, antes da implementação da operação de paz das Nações Unidas no país.

Membros do exército francês inspecionam foguetes guardados em Camp de Roux, República Centro-Africana. Foto: ONU/Nektarios Markogiannis

Membros do exército francês inspecionam foguetes guardados em Camp de Roux, República Centro-Africana. Foto: ONU/Nektarios Markogiannis

As Nações Unidas seguem com sua investigação do vazamento de um relatório interno sobre alegações de má conduta sexual por militares franceses na República Centro-Africana (RCA), declarou o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville.

Em um comunicado emitido em 29 de abril, o porta-voz explicou que o relatório era resultado de uma investigação realizada pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) na RCA no final da primavera de 2014. O documento teria sido fornecido a “um parte externa” em meados de julho de 2014, em uma forma não editada, que incluía as identidades de vítimas, testemunhas e investigadores.

Segundo a ONU, esta versão foi “fornecida não oficialmente” por um membro da equipe das Nações Unidas para as autoridades francesas no final de julho, antes mesmo de ser entregue aos responsáveis do ACNUDH.

“Isto constitui uma grave violação de protocolo, que, como é bem conhecido por todos os funcionários do ACNUDH, requer edição de qualquer informação que poderia pôr em perigo as vítimas, testemunhas e investigadores,” explicou o comunicado.

A investigação seguiu sérias alegações de abuso e exploração sexual de crianças por militares franceses, antes do estabelecimento da MINUSCA – a operação de manutenção da paz das Nações Unidas na República Centro-Africana.

Colville explicou que a investigação mais importante, sobre as alegações extremamente graves de abuso sexual de crianças por soldados franceses na República Centro-Africana, já estava sendo investigada pelas autoridades francesas desde 31 de julho de 2014.

Ele explicou que a segunda investigação foi interna, e estava sendo levada a cabo pelo escritório dos serviços de supervisão interna (OIOIS) das Nações Unidas, a pedido alto comissário, para saber como a informação confidencial, e, especialmente, as identidades de crianças vítimas, testemunhas e investigadores, foram vazadas para atores externos.