Situação tem se agravado “dramaticamente” nos últimos meses, passando de crise de longo prazo de pobreza e vulnerabilidade crônica para emergência complexa caracterizada por violência, necessidades urgentes e graves problemas de proteção.

Subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, em visita a hospital pediátrico em Bangui (Jul/13). Foto:OCHA/C. Illemassene
As Nações Unidas demonstraram na quarta-feira (14) total preocupação com a situação na República Centro-Africana (RCA), marcada pela insegurança, instabilidade e crescente emergência humanitária.
“A RCA ainda não é um Estado falido, mas tem o potencial para se tornar um, caso rápidas ações não sejam tomadas“, disse a subsecretária-geral da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos, em discurso para o Conselho de Segurança da ONU.
Segundo Amos, que visitou o país recentemente, ao longo dos últimos meses a situação humanitária piorou “dramaticamente”, passando de uma crise de longo prazo de pobreza e vulnerabilidade crônica para uma emergência complexa caracterizada por violência, necessidades urgentes e graves problemas de proteção.
A RCA, marcada por décadas de instabilidade e luta, sofreu a retomada da violência em dezembro passado, quando a coalizão rebelde Séléka lançou uma série de ataques. Um acordo de paz foi alcançado em janeiro, mas os rebeldes tomaram a capital, Bangui, em março, forçando o presidente François Bozizé a fugir.
Os recentes combates prejudicaram até mesmo os serviços mais básicos e pioraram uma situação humanitária que, de acordo com a subsecretária-geral, afeta toda a população de 4,6 milhões de pessoas, metade delas crianças.
Atualmente, 1,6 milhão de pessoas vivem em extrema necessidade de assistência, incluindo alimentação, proteção, cuidados de saúde, água, saneamento e abrigo.
Amos observou que mais de 206 mil pessoas foram deslocadas internamente e quase 60 mil buscaram refúgio em países vizinhos, das quais dois terços na República Democrática do Congo.
Mais de 650 mil crianças não podem ir à escola por causa do fechamento e ocupação por grupos armados. Cerca de 484 mil pessoas sofrem por fome e milhares de meninos e meninas estão com desnutrição aguda.
O secretário-geral assistente da ONU para os direitos humanos, Ivan Ṡimonović, pediu a implantação de uma grande força internacional com um mandato de proteção forte para fornecer de imediato a segurança, proteger a população em todo o país, restaurar o Estado de Direito e criar condições favoráveis para eleições livres e justas.
Ṡimonović, que também visitou recentemente a RCA, falou da necessidade de reforçar o setor de direitos humanos do Escritório Integrado da ONU para Construção da Paz na RCA (BINUCA), que atualmente não tem capacidade para monitorar, verificar e reportar violações dos direitos humanos em todo o país.