Enviada da ONU para Região dos Grandes Lagos da África incentiva cumprimento do acordo que pode encerrar conflitos na República Democrática do Congo.

Enviada da ONU para Região dos Grandes Lagos na África, em Goma, República Democrática do Congo (RDC), antes de ir para Ruanda. Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti
A enviada das Nações Unidas destacou, durante visita a Ruanda na quarta-feira (1), a importância de restaurar a confiança entre os países da região dos Grandes Lagos para garantir uma paz duradoura no leste da República Democrática do Congo (RDC).
“Se pudermos consagrar a paz e acabar com as operações dos grupos armados no leste da RDC, vamos ajudar não só Ruanda, mas toda a região”, disse Mary Robinson, enviada especial do Secretário-Geral para Região dos Grandes Lagos da África, em declaração à imprensa.
Sua parada em Kigali, capital de Ruanda, faz parte de um circuito regional para incentivar a implementação do acordo que ela chamou de “quadro de esperança”, assinado por 11 países em fevereiro. O acordo pretende acabar com décadas de conflito e sofrimento na RDC e arredores.
Robinson explicou que seu papel não seria “criar uma solução para os conflitos”, mas sim incentivar que o acordo seja cumprido pelos governos e as pessoas dentro de cada país. “Eu acredito que a verdadeira intenção deste acordo é reconstruir e fortalecer a confiança entre os países da região.”
Em novembro de 2012 o grupo rebelde M23 — formado por ex-membros do exército nacional da RDC (FARDC) — ocupou Goma, capital da província de Kivu do Norte. Os confrontos entre o Governo e os rebeldes deslocaram mais de 130 mil pessoas na cidade, fazendo com que 47 mil fugissem para a província vizinha de Kivu do Sul. Após 11 dias de pedidos para se retirarem e condenações generalizadas, os rebeldes do M23 deixaram a região.
Como resultado, o Conselho de Segurança autorizou em março o envio de uma brigada de intervenção da Missão da Organização das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), com a possibilidade de realizar operações ofensivas, com ou sem o exército nacional congolês, contra os grupos armados que ameaçam a paz no leste da RDC.