Robôs já são realidade em ambientes de trabalho no Sudeste Asiático, aponta OIT

Segundo pesquisa, indústrias da região estão progressivamente introduzindo a robótica para melhorar a qualidade, a capacidade e a segurança no trabalho, através de formas de colaboração que aumentam a produtividade dos trabalhadores mais qualificados, em vez de substituí-los.

Mulher em uma fábrica de tecidos de roupas em Phnom Penh, capital e o principal centro financeiro e corporativo do Camboja. Foto: Chhor Sokunthea/Banco Mundial

Mulher em uma fábrica de tecidos de roupas em Phnom Penh, capital e o principal centro financeiro e corporativo do Camboja. Foto: Chhor Sokunthea/Banco Mundial

Um novo estudo anunciado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que indústrias de setores automobilístico, de eletrônicos, têxteis, de vestuário e outras, situadas na região do Sudeste Asiático, estão progressivamente introduzindo a robótica para melhorar as condições de trabalho e a produtividade.

De acordo com a pesquisa ”Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em transformação: Como a tecnologia está mudando empregos e empresas”, que foi baseada em entrevistas da ASEAN com mais de 4 mil empresas e 2,7 mil estudantes e em entrevistas qualitativas com mais de 330 partes envolvidas na região e fora dela, existe um potencial considerável para o crescimento da oferta de emprego relacionado às tecnologias avançadas como a fabricação aditiva, a robótica e a ”Internet das Coisas”.

“Mais de 60% das empresas pesquisadas veem essas tecnologias como um fator positivo para aumentar as vendas, a produtividade do trabalho e o número de trabalhadores altamente qualificados”, observou o estudo.

No entanto, embora as empresas de toda a região estejam buscando cada vez mais trabalhadores com qualificações em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, os jovens da região, especialmente as mulheres, não optam por estudar esses assuntos. Apenas 17% dos estudantes de sexo feminino entrevistadas indicaram que estavam fazendo cursos nessas áreas.

Além disso, empregos em setores têxteis, de vestuário e calçado, que representam mais de 9 milhões de empregos — ocupados principalmente por mulheres —, são especialmente vulneráveis às tecnologias disruptivas.

Elas têm potencial para reduzir as exportações para mercados na Europa e nos Estados Unidos e fortalecer as regiões nacionais, melhorando algumas economias no Sudeste Asiático, como as do Camboja e do Vietnã.

Para a diretora do escritório da região, Deborah France-Massin, países que competem sobre o trabalho de baixa remuneração precisam se reposicionar e fortalecer a implementação dessas tecnologias.

“Vantagens competitivas de preço não são mais suficientes. Os formuladores de políticas precisam criar um ambiente mais propício que leve a um maior investimento em capital humano, em pesquisa e desenvolvimento e em produção de alto valor”, disse.