Em Ruanda, secretário-geral da ONU pede ação coordenada por acordo de paz no Sudão do Sul

“Este é o momento de uma ação decisiva e coletiva. O povo do Sudão do Sul precisa ouvir a região e o mundo falando uma só voz para acabar com essa violência gratuita”, destacou Ban Ki-moon.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reunido com o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Dessalegn, à margem da vigésima sétima Cúpula da União Africana, em Kigali, Ruanda. Foto: ONU / Rick Bajornas

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reunido com o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Dessalegn, à margem da vigésima sétima Cúpula da União Africana, em Kigali, Ruanda. Foto: ONU / Rick Bajornas

Durante a vigésima sétima Cúpula da União Africana em Kigali, capital da Ruanda, que ocorreu em meados de julho, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sublinhou a necessidade de uma ação coordenada para restaurar a implementação do acordo de paz no Sudão do Sul.

“Este é o momento de uma ação decisiva e coletiva. O povo do Sudão do Sul precisa ouvir a região e o mundo falando uma só voz para acabar com essa violência gratuita”, destacou Ban Ki-moon na reunião extraordinária da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), bloco comercial que inclui oito países africanos: Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão, Sudão do Sul e Uganda.

“Eu sei que muitos de vocês têm trabalhado duro para garantir a paz para o país mais jovem do mundo, e eu sei que todos nós concordamos que não podemos permitir que o Sudão do Sul escorregue novamente em uma guerra civil”, acrescentou.

Citando a extensão da violência no país, com os ataques indiscriminados contra civis e soldados de paz, a imensa perda de vidas e o sofrimento que a crise tem infligido ao povo do Sudão do Sul, o chefe da ONU enfatizou que os novos combates são “horríveis e totalmente inaceitáveis”.

“Complexos da ONU foram atingidos no fogo cruzado e nossos armazéns e estoques de alimentos, para alimentar centenas de milhares de pessoas, foram roubados”, destacou.

O secretário-geral também condenou nos termos mais fortes os ataques contra funcionários das Nações Unidas e de organizações não governamentais internacionais; instalações em Juba de soldados do Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA), bem como os relatos de violência sexual, agressões e assassinatos dos funcionários das organizações e de civis sul-sudaneses.

Ban Ki-moon conversou com o enviado especial do presidente do Sudão do Sul, Nhial Deng Nhial; com o primeira vice-presidente, Riek Machar, e com alguns líderes da região, solicitando a eles que façam todo o possível para a cessação imediata das hostilidades e tenham compromisso com a implementação do acordo de paz.

Entre reuniões com líderes regionais, Ban esteve com o presidente do IGAD e com o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Dessalegn. Os líderes debateram, entre outras coisas, a questão da paz e da segurança nos desafios regionais e as mudanças climáticas.

Eles concordaram sobre a necessidade de uma ação internacional urgente e reforçada para evitar a violência e novas atrocidades, bem como para colocar de volta nos trilhos o processo de implementação do acordo sobre a resolução do conflito no Sudão do Sul.

Além disso, o chefe da ONU informou o primeiro-ministro sobre suas recomendações ao Conselho de Segurança a favor de um embargo de armas e acerca da imposição de sanções a indivíduos envolvidos na violência, que impedem a implementação do acordo de paz.

Outra recomendação anunciada foi o fortalecimento da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS).

Ban também destacou os graves efeitos globais, em especial na região do Nordeste Africano, dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña.

De acordo com Hailemariam Dessalegn, a Etiópia tomou medidas para atenuar o impacto da La Niña e está comprometida com os esforços globais para combater as mudanças climáticas, incluindo por meio da ratificação do Acordo de Paris.

O conflito do Sudão do Sul, que teve início em dezembro de 2013, produziu uma dos piores situações de deslocamento do mundo, com imenso sofrimento. Cerca de 1,69 milhão de pessoas estão deslocadas no interior do país, enquanto há atualmente pouco mais de 831 mil refugiados sul-sudaneses, principalmente na Etiópia, Sudão e Uganda.