Rússia veta resolução que considera massacre de Srebrenica genocídio

Veto da Federação Russa inviabilizou aprovação da resolução. Chefe de Direitos Humanos da ONU afirmou que “passos tímidos e hesitação” da Organização contribuíram para a tragédia na Bósnia-Herzegóvina há 20 anos.

Enterro de vítimas do massacre de Srebrenica. Foto: Wikicommons/Almir Dzanovic

Enterro de vítimas do massacre de Srebrenica. Foto: Wikicommons/Almir Dzanovic

Após o Conselho de Segurança da ONU falhar em adotar uma resolução que alguns membros permanentes afirmaram ser “vital” e outros “divisória”, representantes da ONU destacaram, nesta quarta-feira (08), que o horror do massacre de Srebrenica continua assombrando a Organização, mesmo após 20 anos do trágico evento, que deixou milhares de bósnios-mulçumanos mortos.

As lições aprendidas desses dias “indescritíveis” de julho de 1995 ainda reverberam através das Nações Unidas, disse o vice-geral da ONU, Jan Eliasson, que com o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu mais esforços para prevenir novas atrocidades e melhor coesão da comunidade internacional em um momento de escalada de crimes contra a humanidade em todo o mundo.

A resolução teve 10 votos a favor, quatro abstenções – Angola, China, Nigéria e Venezuela – e um contra – de um membro permanente do Conselho – a Federação Russa, inviabilizando sua adoção. O texto determinava que a “aceitação dos eventos trágicos em Srebrenica como um genocídio é um pré-requisito para a reconciliação.”

“Nos reunimos com humildade e arrependimento para reconhecer o fracasso da ONU e da comunidade internacional para prevenir esta tragédia”, disse Eliasson. “As Nações Unidas reconhecem sua responsabilidade no fracasso da proteção das pessoas que procuraram abrigo e socorro em Srebrencia.”

Zeid também expressou mea culpa para o que ele chamou de esforço “desastrado” da ONU para responder às ameaças durante o início do conflito na Bósnia. Para ele, os “passos tímidos e a hesitação” da Organização foram peças-chave para permitir a tragédia. “Estávamos errados, tão errados, apesar das pessoas de Srebrenica saberem muito bem quem as enfrentava e o que os esperava”, disse. “Simplesmente não paramos para pensar nestas questões com a profundidade necessária.”