Necessidades humanitárias extremas colocam 41 milhões de jovens em risco de envolvimento com grupos radicais na região. Falta de acesso à educação e governança precária estão entre os problemas.

Refugiados do Mali recebem assistência em Mangaizé, no Níger. Ambos os países fazem parte da região do Sahel, onde apenas 56% das crianças têm acesso à educação primária. Foto: ACNUR / H. Caux
A enviada especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Sahel, Hiroute Guebre Sellassie, alertou o Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (25) a respeito das necessidades humanitárias da região, que pode se tornar um solo fértil para o recrutamento de terroristas, caso não receba a devida assistência internacional. Falta de empregos e de acesso à educação foram alguns dos fatores preocupantes citados pela especialista.
No Sahel, apenas 56% das crianças frequentam escolas primárias e apenas 36% da população sabe ler e escrever. Sellassie estima que até 41 milhões de jovens abaixo dos 25 anos enfrentam situações de desamparo no Chade, no Mali, na Mauritânia, no Níger e em Burkina Faso, correndo o risco de se envolverem em grupos radicais ou de migrarem para outras áreas. Além dos mais novos, as mulheres também estão entre os principais alvos do recrutamento por organizações terroristas.
Outros desafios da região incluem problemas de governança, como a frágil participação política de segmentos das populações, a degradação ambiental, os choques climáticos repetidos e tendências demográficas que colocam milhões de pessoas à beira do desastre humanitário. A especialista das Nações Unidas ressaltou também os envolvimentos crescentes de traficantes de drogas, armamentos e seres humanos com movimentos terroristas e grupos armados.
“Esse círculo vicioso insustentável só pode piorar sem uma assistência internacional forte”, afirmou Sellassie. Segundo a enviada da ONU, se nada for feito, a região se tornará um foco de migração em massa e de treinamento de extremistas. Os atentados recentes em Bamako, Paris, Beirute, mas também na Nigéria e em Camarões, foram lembrados. “A luta contra o terrorismo requer solidariedade internacional. Parcerias globais não são mais uma opção, mas um imperativo para a sobrevivência”.