Segundo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, haveria “graves consequências” para seus autores. Ele pediu uma investigação imediata e cooperação das partes em conflito. Missão da ONU está no país.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fazendo comentários sobre a Síria em Seul, na Coreia do Sul. Foto: ONU/Evan Schneider
A utilização de quaisquer armas químicas na Síria equivaleria a um “crime contra a humanidade” e haveria “graves consequências” para seus autores, afirmou nesta sexta-feira (23) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele pediu uma investigação imediata sobre este assunto.
“Qualquer uso de armas químicas em qualquer lugar, por qualquer pessoa, sob quaisquer circunstâncias, viola o direito internacional”, disse Ban antes de uma reunião em Seul, na Coreia do Sul, sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
“Esse crime contra a humanidade deve resultar em sérias consequências para o agressor. Mais uma vez, peço uma investigação imediata deste último incidente.”
A equipe da ONU está atualmente na Síria por 14 dias, com possibilidade de prorrogação, investigando o suposto uso de armas químicas por parte do governo em Khan al-Asal, bem como duas outras alegações relatadas pelos Estados-Membros.
Na quinta-feira (22), Ban Ki-moon apelou ao governo sírio para estender sua plena cooperação para que a equipe, liderada pelo cientista sueco Ake Sellström, possa investigar imediatamente o incidente, que ocorreu na manhã do dia 21 de agosto. Ban Ki-moon também enviou a alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, Angela Kane, para Damasco.
“Não consigo pensar em nenhuma boa razão para que qualquer parte – forças do governo ou da oposição – declinaria desta oportunidade de chegar à verdade dos fatos”, disse Ban.
Desde que teve início os combates em março de 2011 entre o governo sírio e grupos de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad, cerca de 100 mil pessoas foram mortas, quase 2 milhões fugiram para países vizinhos e mais de 4 milhões foram deslocadas internamente. Além disso, pelo menos 6,8 milhões de sírios necessitam de assistência humanitária urgente, metade das quais são crianças.
Ban Ki-moon sublinhou que “não há tempo a perder”, dada a situação humanitária alarmante, e repetiu seu apelo a todas as partes para “vir à mesa de negociações”.
“Está claramente na hora de as partes pararem de atirar e começarem a conversar. Estou determinado a fazer tudo o que puder para ajudar as vítimas e avançar para uma solução política. Essa é a única maneira de esta crise ser resolvida.”
Ele acrescentou que, embora a situação política esteja conturbada, as agências da ONU continuarão a prestar assistência a milhões de pessoas que estão em necessidade urgente, dentro e fora da Síria.
“Nosso desafio permanece: conseguir uma cessação completa das hostilidades, a prestação de assistência humanitária e levar o governo e a oposição à mesa de negociações, em Genebra, o mais rápido possível”, disse ele.
O representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, disse que o planejamento para a chamada conferência “Genebra II” ainda está em andamento, com o encontro provisoriamente previsto para setembro.
Em junho, as discussões sobre o encontro internacional foi realizada em Genebra, com a participação de autoridades dos Estados Unidos, da Rússia e da ONU, liderada por Brahimi.
O objetivo da conferência é alcançar uma solução política para o conflito na Síria, através de um acordo abrangente entre o governo e a oposição para a plena implementação do Comunicado de Genebra, de 30 de junho de 2012. Emitido após a reunião do Grupo de Ação para a Síria, o documento estabelece passos-chave em um processo para acabar com a violência.
Em uma entrevista para a TV da ONU, Brahimi ressaltou a necessidade de convocar a conferência, avisando que a Síria tornou-se “sem dúvida, a maior ameaça à paz e segurança no mundo de hoje”.
“Esta alegação de que armas químicas foram usadas a poucos quilômetros do centro de Damasco enfatiza a importância desta crise e o perigo que ele representa, não só para o povo sírio, não só para a região, mas para o mundo”, disse ele.
Também nesta sexta-feira (23), o porta-voz do secretário-geral da ONU emitiu um comunicado cobrando rapidez nas investigações sobre os ataques com armas químicas.
“O secretário-geral também insta a oposição síria a cooperar com a Missão da ONU para investigar a alegada utilização de armas químicas neste trágico acontecimento mais recente. É de suma importância que todos aqueles que compartilham a preocupação e urgência de investigar estas alegações dividam igualmente a responsabilidade de colaborar na geração de um ambiente seguro para a missão fazer seu trabalho”, afirmou o porta-voz de Ban.