Seca e conflitos aumentam crise agrícola e alimentar na Síria, alerta FAO

Agência da ONU apoiará cerca de 50 mil famílias vulneráveis de pequenos agricultores que vivem em áreas afetadas pelo conflito.

A FAO está apoiando famílias sírias. Foto: FAO Síria

A FAO está apoiando famílias sírias. Foto: FAO Síria

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou a mais recente perspectiva sobre a situação da Síria e afirmou que a seca e os conflitos em curso, além de pressionar a difícil situação de segurança alimentar, também estão aumentando os preços e a necessidade de importações.

“A pressão continua a aumentar sobre as famílias deslocadas e outros agricultores vulneráveis, ameaçando consequências a longo prazo para a sua segurança alimentar, saúde e sobrevivência econômica”, afirmou o representante da FAO na Síria, Eriko Hibi.

A FAO advertiu que a produção de trigo e cevada – as duas culturas alimentares mais importantes do país – podem ser severamente reduzidas.

“Segundo as estimativas, a área total plantada com trigo caiu cerca de 15%, em comparação com a média dos últimos anos, e a produção em uma expectativa de 1,97 milhões de toneladas para 2014 – cerca de 52% abaixo da média para o período 2001-2011”, afirmou.

Segundo a FAO, as condições meteorológicas em mudança devem resultar no aumento da inflação dos preços dos alimentos, na perda de emprego, nas interrupções nos mercados e nas atividades de comércio.

Além de já agravar a precária situação de insegurança alimentar – trazida principalmente pelo conflito –, ela está resultando na devastação de meios de subsistência. Em contrapartida, a escassez de alimentos também têm trazido à tona as necessidades de importação.

A FAO e seus parceiros esperam trabalhar em conjunto com os agricultores e o governo da Síria para melhorar a situação de subsistência. A agência da ONU está se preparando para a produção de cereais no próximo inverno, na esperança de ajudar cerca de 50 mil famílias vulneráveis de pequenos agricultores – aproximadamente 350 mil pessoas que vivem em áreas afetadas pela crise – para cultivar pelo menos um hectare de terra cada um.

“Isso permitirá que as famílias satisfaçam suas necessidades alimentares por 12 meses e produzam um excedente para vender no mercado”, afirmou a FAO.