Secretário-Geral Adjunto reafirma apoio internacional a Mali, mas pede cautela

Jan Eliasson ressaltou que qualquer intervenção militar internacional não pode exacerbar tensões já existentes. Ele também reafirmou que a busca pelo diálogo deve ser o foco das ações.

Uma maliana refugiada em Mangaize, norte do Níger. Foto: ACNUR / H.Caux

A comunidade internacional deve ajudar as autoridades do Mali a colocar em prática um processo político confiável que aborde as causas subjacentes da crise do país e ajude com quaisquer operações militares que possam ser necessárias para que partes do país voltem a ser controladas pelo Governo, garantindo, ao mesmo tempo, que a ação militar “não exacerbe as tensões existentes ou agrave uma situação humanitária já frágil em si”.

Essa foi a principal mensagem do Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas, Jan Eliasson, em seu discurso de hoje (19) para um Encontro da União Africana (UA), da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e das Nações Unidas em um Grupo Apoio e Acompanhamento de Mali, realizado em Bamako, na capital do país da África Ocidental.

“Qualquer ação militar deve também apoiar uma estratégia política coerente para a reunificação do país. E para que a comunidade internacional apoie uma força militar internacional, os direitos humanos e humanitários devem ser escrupulosamente respeitadas”, afirmou Eliasson.

Atualmente liderado pelo presidente interino Dioncounda Traoré, o Mali tem lidado com uma gama de problemas de segurança, políticos e humanitários desde o início do ano. Os combates entre as forças governamentais e os rebeldes tuaregues eclodiu no norte do país, em janeiro. Desde então, os radicais tomaram o controle do norte, onde impuseram uma versão extremista da lei muçulmana sharia, com as mulheres como o principal alvo das restrições.

Em seu discurso em Bamako, o Secretário-Geral Adjunto também ressaltou que qualquer processo político no Mali deve permitir que as autoridades de transição se engajem em conversações com os grupos rebeldes no norte do país, que representam queixas legítimas de comunidades que sofreram anos de marginalização e negligência.

“É imperativo que estes grupos cortem todos os vínculos com organizações terroristas, tal como solicitado na resolução 2071 do Conselho de Segurança”, disse Jan Eliasson, acrescentando que “as forças militares devem se abster de interferir na arena política.”

A resolução 2.071, aprovada por unanimidade na última sexta-feira (12), reconhece a possibilidade de o Conselho endossar, dentro de 45 dias, uma força militar internacional para restaurar a unidade da nação da África Ocidental.

“O importante trabalho já realizado pelas autoridades do Mali, da CEDEAO e da UA vai servir como uma base sólida para os nossos esforços conjuntos”, garantiu Eliasson, acrescentando que o mundo está pronto para prestar apoio imediato a um diálogo nacional e para dar assistência para fortalecer as capacidades nacionais para negociações políticas.