Secretário-Geral continua discutindo questões-chave para o desenvolvimento global com os líderes que participam da Assembleia Geral

Entre muitos assuntos, Ban pediu que o Iraque cumpra suas obrigações nas relações com o Kuwait e debateu a crise na República Democrática do Congo.

Ban Ki-moon (esquerda) com a Primeira-Ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina

Crises humanitárias, a manutenção da paz e outros assuntos-chave foram debatidos (29) pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, com os líderes dos Estados-Membros das Nações Unidas. Os encontros foram realizados durante o Debate Geral da Assembleia Geral, que ocorre até esta segunda-feira (1) em Nova York.

Com o Presidente de Mianmar, Thein Sein, Ban trocou opiniões sobre as reformas políticas do país asiático, bem como discutiu o desenvolvimento sócio-econômico e a reconciliação nacional. Eles também discutiram o recente surto de violência no estado de Rakhine, no oeste do país, e as perspectivas imediatas e de longo prazo para promover a harmonia intercomunal e combater as causas da tensão local, incluindo esforços de desenvolvimento. Ban Ki-moon pediu esforços concentrados para abordar a situação no estado de Kachin, que tem vivenciado deslocamentos em massa desde que os combates entre tropas do governo e rebeldes começaram, no ano passado. O chefe da ONU elogiou a visão política do presidente e sua liderança, o encorajando a continuar a concentrar-se no processo de reforma e em sua consolidação.

Na reunião com a Primeira-Ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, Ban declarou o seu apreço pelo papel ativo do país asiático nas Nações Unidas, incluindo nas áreas de manutenção e construção da paz. Os dois líderes trocaram pontos de vista sobre a situação em Bangladesh, incluindo a importância de eleições livres e os esforços que estão sendo feitos nos setores de educação e saúde. Ban também elogiou a recepção do país de Hasina a um grande número de refugiados de Mianmar. No encontro, ambos também falaram do processo de transição político em Mianmar e a necessidade de esforços comuns para ajudar a resolver a situação naquela nação.

Em seu encontro com o Vice-presidente iraquiano, Khudier Alkhuzae, o Secretário-Geral solicitou ao Iraque o cumprimento imediato das obrigações do Capítulo VII da Carta da ONU ao focar a relação instável do país com o Kuwait, reiterando o compromisso da ONU em ajudar a normalizar as relações entre as duas nações do Oriente Médio. O Iraque invadiu o Kuwait em 1990. Ban Ki-moon também agradeceu ao governo iraquiano pela sua cooperação com a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI), bem como pelo realocamento pacífico de ex-moradores do Campo de Ashraf, reiterando a necessidade urgente de os Estados-Membros da ONU de oferecerem oportunidades reassentamento para todos os refugiados.

Ao se encontrar com o Vice-Presidente de Uganda, Edward Kiwanuka Ssekandi, o Secretário-Geral falou da crise na República Democrática do Congo (RDC). Ban e Kiwankuka ressaltaram a necessidade de prosseguir os esforços políticos para pôr fim ao conflito no leste do país, que pode desestabilizar toda a região dos Grandes Lagos. A parte leste da RDC, particularmente suas províncias de Kivu Norte e Kivu do Sul, tem sido assolada pela violência nos últimos meses, principalmente pelo grupo M23, composto de soldados renegados do exército nacional.

O Secretário-Geral conversou com o Presidente da República Turca de Chipre do Norte (RTCN), Dervis Eroglu, sobre as formas de revitalizar as negociações para encontrar uma solução para o problemas do Chipre. Eles também discutiram a exploração de hidrocarbonetos no Mediterrâneo oriental. Segundo Ban, estes recursos podem ser muito benéficos tanto para a comunidade de cipriotas-turcos como para a de cipriotas-gregos e podem financiar um acordo para a ilha, que foi dividida pela violência entre as duas comunidades em 1964.

Com o Vice Primeiro-Ministro e também Ministro das Relações Exteriores e Comércio da Irlanda, Eamon Gilmore, o Chefe da ONU expressou sua esperança de que, durante o mandato irlandês em 2013 na Presidência do Conselho da União Europeia (UE), a UE possa ser uma forte defensora da luta contra as alterações climáticas, das metas antipobreza, conhecidas como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), e do estabelecimento de uma agenda de desenvolvimento vigoroso pós-2015.

O processo de diálogo nacional na Mauritânia, a questão do Saara Ocidental e a situação no Mali foram as pautas na reunião do Secretário-Geral com o Ministro das Relações Exteriores da Mauritânia, Hamady Ould Hamady. Ban Ki-moon reiterou a disponibilidade da ONU de apoiar ao processo de diálogo no país africano, encorajando o governo a promover a inclusão ao longo da implementação do processo.

Na reunião com o Secretário-Geral da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), Ekmeleddin Ihsanoglu, Ban expressou seu apreço pelos esforços da OIC em busca de uma solução política e pacífica para a crise síria. Os desenvolvimentos em curso no mundo árabe, especialmente na Síria e no Iêmen, foram os temas de discussão na reunião do Secretário-Geral com o seu homólogo no Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo, Abdulateef Bin Rashed Al-Zayani. Em relação à Síria, Ban Ki-moon enfatizou a necessidade crítica de unidade no contexto de encontrar uma solução para a crise em curso, observando que ainda há muito a ser feito para deter o fluxo de armas, de modo a evitar a militarização da conflito. O Chefe da ONU e Al-Zayani reconheceram a necessidade de construir mais esforços para o processo de transição do Iêmen.

A contribuição de Cuba para a paz na Colômbia, para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a participação da Presidente da Agência do Meio Ambiente de Cuba, Gisela Alonso, no Painel de Alto Nível sobre a Agenda pós-2015 de Desenvolvimento. Estes foram alguns dos temas discutidos na reunião entre o Secretário-Geral e o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla. Ban também felicitou a nação caribenha por ser a próxima nação a assumir a Presidência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

Com o Ministro das Relações Exteriores do Tadjiquistão, Ban pediu o engajamento contínuo nos esforços regionais para promover a estabilização do Afeganistão. Os dois também falaram da estação hidrelétrica de Roghun, ainda em construção.

Em mais um encontro com um Ministro das Relações Exteriores, o da Romênia, Titus Corlatean, o Chefe da ONU falou da situação romena e dos conflitos na região separatista da Transnístria, na Moldávia. Ban elogiou a Romênia pelo seu apoio às transições democráticas em curso no Oriente Médio e Norte da África, encorajando o país a continuar com o compartilhamento das melhores práticas e outras contribuições a este respeito.