Secretário-geral da ONU alerta sobre risco ao processo de paz no Sudão do Sul

O prazo para o estabelecimento do novo Governo de Transição de Unidade Nacional expirou nesta sexta-feira (22). As disputas entre o presidente, Salva Kiir, e seu antigo vice-presidente, Riek Machar, começaram há dois anos e já deixaram milhares de mortos e 2,4 milhões de pessoas deslocadas.

Mulheres e crianças chegam no local de Proteção de Civis em Bentiu para pessoas deslocadas internas, no estado de Unidade, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Mulheres e crianças chegam no local de Proteção de Civis em Bentiu para pessoas deslocadas internas, no estado de Unidade, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

O secretário-geral da ONU lançou um pedido nesta segunda-feira (25) às partes implicadas no processo de paz no Sudão do Sul para não abandonarem o processo de criação de uma nova formação política no país. Na sexta-feira (22) expirou o prazo para o estabelecimento do Governo de Transição de Unidade Nacional que colocaria fim à violência na nação mais jovem do mundo. Um dos pontos de desacordo está a criação de novos estados, passando das atuais dez divisões territoriais e políticas para 28.

Ban Ki-moon incentivou a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) e os Estados-membros da União Africana a abordar o impasse político no país e as questões que impedem a formação do novo governo na próxima Cúpula da União Africana, que começará no domingo (31).

O grupo conformado pelo IGAD, a União Africana, as Nações Unidas, China, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos mediaram o acordo de paz, que o presidente, Salva Kiir, e seu antigo vice-presidente, Riek Machar, assinaram em agosto. O compromisso tem como objetivo acabar com a violência que eclodiu entre as duas facções há dois anos e que deixou milhares de pessoas mortas, 2,4 milhões deslocadas e 4,6 milhões em risco de insegurança alimentar.

Vários representantes da ONU advertiram sobre as violações constantes ao cessar-fogo, tanto pelas forças do governo como da oposição. A violência ininterrupta provocou uma nova onda recente de deslocamento de dezenas de milhares de pessoas e ameaça o processo de paz no país, que ganhou sua independência em 2009, após separar-se do Sudão.

O chefe da ONU reafirmou o seu compromisso com o processo e o povo do Sudão. No mês passado, o Conselho de Segurança aumentou o contingente da missão da ONU no país, acrescentando outros mil soldados, chegando ao patamar de 15 mil tropas e policiais. Como prioridade destacou que a proteção de civis está me primeiro lugar através do uso “de qualquer meio necessário” já que “há fundamentos para acreditar que crimes de guerra e crimes contra a humanidade” estão sendo cometidos. Hoje a missão conta com 12.500 capacetes-azuis.