Chefe da ONU cobra ações mais ousadas da comunidade global para ajudar pessoas vulneráveis

Chamando atenção para a Conferência Mundial de Ajuda Humanitária, que acontecerá no ano que vem em Istambul, Ban Ki-moon lembra que número de deslocados por conflito já passa de 51 milhões.

Migrantes chegam à Itália, depois de serem resgatados em alto-mar. Foto: ACNUR/Francesco Malavolta

Migrantes chegam à Itália, depois de serem resgatados em alto-mar. Foto: ACNUR/Francesco Malavolta

Tendo como perspectiva a Cúpula Mundial Humanitária, que acontecerá no ano que vem em Istambul, o secretário-geral da ONU afirmou que os novos acontecimentos servem para pressionar a comunidade internacional a se alinhar com os principais compromissos globais para apoiar as pessoas mais vulneráveis do mundo.

“As manchetes de hoje servem como um lembrete do porquê esta Conferência é necessária”, disse Ban Ki-moon nesta segunda-feira (20). “A morte de centenas de migrantes vindos da costa da Líbia não é apenas profundamente entristecedor – deveria chocar a consciência global.”

Notando que mais migrantes morreram até agora em 2015 do que no Titanic, Ban chamou a atenção para o ataque mortal à equipe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Somália, que mostrou o grande perigo que enfrentam os trabalhadores humanitários em todo o mundo.

“O número de pessoas que necessita ajuda humanitária em todo o mundo dobrou em apenas dez anos”, observou Ban. “Mais pessoas são deslocadas pelo conflito que em qualquer momento desde 1945. Esse número é superior a 51 milhões. As pessoas deslocadas dentro de seus países por causa de conflitos permanecem deslocadas por 17 anos em média. Milhões de crianças estão fora da escola, às vezes por anos. E a situação está piorando.”

Ele disse que um bilhão de pessoas poderiam ser deslocadas por causa das mudanças climáticas até 2050, com mais de 40% da população mundial vivendo em áreas de grave estresse hídrico. Além disso, as perdas econômicas decorrentes de catástrofes naturais têm grandes chances de superar drasticamente os 300 bilhões de dólares já perdidos anualmente.