O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, determinou a criação de uma comissão de inquérito para investigar um incidente envolvendo uma operação das Nações Unidas e do Crescente Vermelho Árabe Sírio. Em 19 de setembro, um comboio com 31 caminhões levando carregamento de ajuda humanitária foi atacado na região de Urum al-Kubra, a poucos quilômetros da cidade de Alepo.
Ban Ki-moon disse que a continuidade das hostilidades na Síria não acontece devido à falta de habilidade dos diplomatas, mas sim devido à ausência da vontade política dos líderes e envolvidos no conflito. “Todas as ações devem focar nos 13,5 milhões de sírios que precisam desesperadamente de ajuda, e para a estabilidade na região e nosso mundo.”

Comboio de ajuda humanitária esperando para entrar na Síria, em 19 de setembro. Foto: Mecanismo de Monitoramento da ONU/Tonglet
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, determinou a criação de uma Comissão de Inquérito para investigar um incidente envolvendo uma operação das Nações Unidas e do Crescente Vermelho Árabe Sírio (SARC).
Em 19 de setembro, um comboio com 31 caminhões levando carregamento de ajuda humanitária foi atacado na região de Urum al-Kubra, a poucos quilômetros da cidade de Alepo.
Pelo menos 18 pessoas morreram no ataque, incluindo o chefe do Crescente Vermelho na região. O depósito onde os suprimentos estavam guardados e uma clínica localizada nas proximidades também ficaram severamente danificados.
A Comissão de Inquérito será responsável por apurar os fatos do incidente e entregar um relatório ao chefe da ONU com suas conclusões. O secretário-geral vai revisar o documento dos investigadores e decidir o que será feito diante do caso.
Ban pediu a todas as partes envolvidas na investigação que cooperem com os especialistas da comissão.
Falando na sede da ONU em Genebra na terça-feira (3), Ban afirmou que a ONU fez e vem fazendo vários esforços diante dos conflitos que estão ocorrendo em todo mundo, como as mediações, as facilitações e os ótimos trabalhos empreendidos pelos enviados especiais e os representantes.
Ban observou ainda que nomeou negociadores diplomáticos de primeira classe para o conflito na Síria.
“Começando pelo meu ilustre antecessor, Kofi Annan, e depois por Lakhdar Brahimi e por Staffan de Mistura, que são os melhores diplomatas”, destacou.

Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante coletiva de imprensa em Genebra. Foto: ONU / Rick Bajornas
De acordo com Ban, a continuidade das hostilidades na Síria não acontece devido à falta de habilidade dos diplomatas, mas sim devido à ausência da vontade política dos líderes e envolvidos no conflito.
“Estou profundamente perturbado que, mesmo depois de quase seis anos de intenso engajamento das Nações Unidas, ainda estamos vendo a continuação da violência”, disse ele.
Segundo Ban, o povo sírio, em grande parte, está dividido em dois e os grupos armados sírios têm ainda mais divisões entre si.
“As potências regionais estão divididas e o Conselho de Segurança idem. Isso tem proporcionado uma ‘tempestade perfeita’ para a continuação da crise no país”, explicou, pedindo unidade entre esses grupos.
Ban Ki-moon reiterou que não há solução militar, e as partes envolvidas têm a obrigação de resolver “primeiro” a questão, enquanto os países com influência também são responsáveis por acabar com os ataques.
“Todas as ações devem focar nos 13,5 milhões de sírios que precisam desesperadamente de ajuda, e para a estabilidade na região e nosso mundo”, disse ele.