Em entrevista à rede de notícias britânica BBC durante viagem oficial à Inglaterra, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a manutenção do acordo nuclear com o Irã, considerado pelo chefe das Nações Unidas “uma importante vitória diplomática”. Questionado se estava preocupado com a eventual saída dos Estados Unidos do documento, o dirigente disse que “não devemos descartar o acordo a menos que tenhamos uma boa alternativa”.

António Guterres, secretário-geral da ONU, em encontro com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May. Foto: Governo do Reino Unido
Em entrevista à rede de notícias britânica BBC durante viagem oficial à Inglaterra, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu na quinta-feira (3) a manutenção do acordo nuclear com o Irã, considerado pelo chefe das Nações Unidas “uma importante vitória diplomática”. Questionado se estava preocupado com a eventual saída dos Estados Unidos do documento, o dirigente disse que “não devemos descartar o acordo a menos que tenhamos uma boa alternativa”.
Firmado em 2015, o Plano de Ação Conjunto Abrangente estabeleceu limites para o programa nuclear iraniano, em troca da anulação de sanções contra o país.
“Eu acho que será importante preservá-lo (o acordo)”, disse Guterres. “Mas também acredito que existem áreas em que será muito importante ter um diálogo significativo, pois vejo a região em uma posição bastante perigosa.”
Para o secretário-geral, “se um dia houver um acordo melhor para substitui-lo, tudo bem, mas não devemos descartá-lo a menos que tenhamos uma boa alternativa”.
Guterres defende responsabilização por ataques químicos na Síria
Guterres também falou sobre a guerra na Síria e enfatizou que “não desistiu” de levar à justiça os responsáveis pelo uso de armas químicas. O secretário-geral afirmou que, após mais de sete anos de guerra civil, há um “risco de fragmentação” de todo o país.
“Eu não acho que ninguém possa ganhar a guerra. Por outro lado, não vejo como a Síria pode ser reconstruída com o apoio da comunidade internacional se não há uma solução política em que todos os grupos da sociedade síria se sintam representados”, disse o chefe da ONU.
“Precisamos ter uma solução política com a qual todos os sírios se sintam confortáveis, e isso exige um nível de diálogo que, até agora, não foi possível”, acrescentou Guterres. Segundo o dirigente máximo das Nações Unidas, “ainda não tivemos o impulso para criar as condições para que isso aconteça”.
Sobre a utilização de armas químicas pelas partes em conflito, o secretário-geral disse que está procurando caminhos que tornem possível a criação de um mecanismo de atribuição, com a concordância do Conselho de Segurança. Tal dispositivo institucional permitiria definir quem foi responsável por qualquer ataque químico.
“O restabelecimento de um mecanismo de responsabilização na Síria é muito importante e eu não desistirei disso.”
Guterres comentou ainda a situação da Península Coreana, onde os compromissos anunciados recentemente pelas duas Coreias prometem pôr um fim ao conflito entre os países e levar à completa desnuclearização da região. Em declaração à BBC, o secretário-geral avaliou que, após conversar por telefone com o presidente sul-coreano Moon Jae-in, na segunda-feira, “as coisas estão no caminho para uma negociação significativa”.