Secretário-Geral da ONU diz que solução política é única saída para países em guerra

Em coletiva sobre os países em conflito no mundo, Ban Ki-moon falou sobre crises como a do Mali, Síria, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Coreia do Norte, entre outros.

Ban Ki-moon fala sobre a solução para os conflitos que afligem diversos países hoje no mundo. Foto: ONU/JC McIlwaine

Ban Ki-moon fala sobre a solução para os conflitos que afligem diversos países hoje no mundo. Foto: ONU/JC McIlwaine

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, deu uma entrevista coletiva na terça-feira (17) afirmando que uma solução política é a única saída para os países que estão em crise atualmente conseguirem uma estabilidade a longo prazo.

“A tragédia na Síria se agrava a cada dia. Os militares estão destruindo o país e colocando a região em perigo. Os civis estão pagando o preço e devem ser protegidos”, disse ele sobre o conflito que já matou mais de 70 mil pessoas, a maioria civis, e deslocou mais de 3 milhões desde que começou o levante contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011.

“As perspectivas podem parecer fracas, mas continuo convencido de que uma solução política é a única maneira de acabar com o derramamento de sangue e fazer da Síria um país democrático. As Nações Unidas vão continuar a se empenhar nesse sentido”, acrescentou.

Em relação ao Mali, o Secretário-Geral observou que a segurança melhorou muito depois “das ações oportunas” das forças militares francesas e africanas, que ajudaram a expulsar os grupos radicais islâmicos e outros militantes das cidades que haviam sido tomadas no país.

“No entanto, ainda há muito a ser feito para restaurar a ordem constitucional e a integridade territorial do Mali”, declaro. “As operações militares e de estabilização são essenciais, mas deixe-me enfatizar mais uma vez que o progresso político é a chave para qualquer solução duradoura.”

Ban Ki-moon expressou preocupação sobre os confrontos na República Centro-Africana (RCA), onde rebeldes tomaram a capital Bangui e forçaram o presidente François Bozizé a fugir. Ele pediu que as autoridades restaurem a ordem no país.

Já na vizinha República Democrática do Congo (RDC), ele observou o recente reforço da missão de paz da ONU, com a criação de uma Brigada de Intervenção para resolver o problema dos grupos armados que vêm semeando o caos no leste do país há alguns anos.

Voltando-se para o conflito no Oriente Médio, Ban Ki-moon saudou as recentes visitas do presidente dos Estados Unidos Barack Obama e do secretário de Estado John Kerry a Jerusalém e Ramallah. Elas serviram para reforçar o processo de paz entre Israel e Palestina.

“Nós não podemos permitir que a janela para alcançar uma solução para os dois Estados se feche”, disse ele, chamando todos os envolvidos — incluindo o Quarteto Diplomático composto por ONU, União Europeia, Rússia e EUA — a trabalhar “para incentivar o processo de paz, criar um ambiente propício para a retomada das negociações e estabelecer um horizonte político que agrade ambos os envolvidos”.

Do outro lado do mundo, o Secretário-Geral observou que a comunidade internacional tem respondido “firme, mas comedidamente às ameaças, testes e atos provocativos” por parte da Coreia do Norte, acrescentando que “os acontecimentos recentes fortaleceram o consenso internacional de que o país asiático não vai ser aceito como uma potência nuclear”.

Ele também pediu à comunidade internacional para não esquecer a grave situação humanitária e de direitos humanos graves na Coreia do Norte. “Eu sinceramente espero que, com a redução da tensão, a comunidade internacional também considere o fornecimento de assistência humanitária na região”, completou.