O presidente, Michel Kafando, e o primeiro-ministro, Yacouba Isaac Zida, foram presos por oficiais filiados ao ex-chefe de estado Blaise Compaoré, deposto em 2014 por manifestações populares.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente de Burkina Faso, Michel Kafando, se encontraram em janeiro de 2015, na Etiópia. Foto: UN / Eskinder Debebe
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou, nesta quinta-feira (17), o golpe de estado em Burkina Faso e a prisão arbitrária de líderes políticos. Na quarta-feira (16), o presidente do país, Michel Kafando, e o primeiro-ministro, Yacouba Isaac Zida, bem como outros ministros do governo, foram detidos por soldados da guarda presidencial filiados ao ex-presidente Blaise Compaoré.
“As Nações Unidas apoiam firmemente as autoridades transicionais e o presidente Kafando”, disse o secretário-geral, que exige a liberação dos políticos e sua retomada ao governo. A prisão aconteceu dois dias após uma comissão ter recomendado a dissolução da guarda presidencial. “O incidente é uma violação flagrante da Constituição e da Carta de transição de Burkina Faso”, afirmaram os membros do Conselho de Segurança, que emitiram pronunciamento na quarta-feira, após o golpe.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, também expressou preocupação quanto à situação no país. “Eu apelo aos líderes do golpe que evitem qualquer uso de força, particularmente no contexto das demonstrações antigolpe, e que respeitem os direitos da população de se manifestar pacificamente”, disse.
Em novembro de 2014, o ex-presidente Blaise Compaoré, depois de passar 27 anos no poder, foi deposto por manifestações populares. Nessa ocasião, formou-se um governo transitório, liderado por Kafando, que ocuparia a presidência até outubro de 2015, quando novas eleições seriam convocadas