Últimos ataques ocorreram na cidade de Aleppo por forças governamentais. Ban Ki-moon afirmou que estes ataques estão acrescentando “uma outra dimensão terrível para o conflito”.

Um edifício severamente danificado por um ataque aéreo na cidade de Aleppo, na Síria. Foto: OCHA/Gemma Connell
Ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para trazer os lados sírios a uma mesa de negociação, na Suíça, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou na quinta-feira (26) sua profunda preocupação com o uso contínuo e indiscriminado de armas pesadas e bombardeios de morteiros no conflito.
Os últimos ataques ocorreram na cidade de Aleppo, onde a ONU afirma que forças governamentais têm feito uso das chamadas “bombas-barril”.
“Uma nova escalada de violência só vai servir as agendas dos que veem meios militares como o único caminho à frente, à custa do povo sírio que já sofreu o bastante”, disse o porta-voz de Ban Ki-moon em um comunicado.
Ban Ki-moon condenou o uso das “bombas-barril” – recipientes contendo óleo cheios de explosivos e estilhaços, lançados por aeronaves. Segundo ele, estes ataques estão acrescentando “uma outra dimensão terrível para o conflito”.
“Todas as partes envolvidas no conflito devem respeitar o direito internacional humanitário e os direitos humanos”, disse o comunicado. “Todos os civis devem ser protegidos em qualquer situação.”
Mais de 120 mil pessoas já foram mortas na Síria e 8 milhões expulsas de suas casas, com 2 milhões delas em busca de refúgio nos países vizinhos, uma vez que o conflito irrompeu pela primeira vez em março de 2011.
Estão em andamento preparativos para a conferência internacional em que o governo sírio e a oposição vai se reunir oficialmente pela primeira vez para discutir os esforços de paz.
A conferência, que deve começar em Montreux em 22 de janeiro de 2014 e, em seguida, seguir em Genebra no dia 24, é liderada pelo representante especial conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, e os Estados Unidos e a Rússia como partes, com a participação de mais de 30 países.
O objetivo da chamada conferência “Genebra II” é alcançar uma solução política para o conflito através de um acordo global entre o governo e a oposição para a plena implementação do comunicado de Genebra, adotado após a primeira reunião internacional sobre a questão em 30 de junho de 2012, que apelou para a criação de um governo de transição que levaria à realização de eleições.
Ban Ki-moon reiterou seu apoio às conversações, pedindo a todos os envolvidos no conflito que “trabalhem de imediato na redução dos índices de violência e concentrem-se em uma solução pacífica e política do conflito”.
Ele também pediu que todas as pessoas detidas e sequestradas como resultado do conflito sejam liberadas, bem como o fim dos cercos e o acesso livre da ajuda humanitária.