De acordo com a Constituição do país, como novo primeiro-ministro Haider al-Abbadi desempenhará o papel de líder no processo de formação do governo.

OMS e UNICEF começaram uma campanha de vacinação de polio no Iraque para prevenir que um surto da doença afete às crianças deslocadas. Foto: UNAMI
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, parabenizou o avanço feito em direção à formação do novo governo no Iraque. Ele também felicitou nesta segunda-feira (11) o presidente do Iraque Fouad Massoum por ter nomeado Haider al-Abbadi como primeiro-ministro e líder do processo de formação do novo governo, segundo determina a Constituição do país. Ban encorajou al-Abbadi a formar um governo de base ampla que seja aceito por toda a sociedade iraquiana, de acordo com o cronograma estipulado pela constituição.
O chefe da ONU mostrou sua preocupação com o aumento das tensões políticas, que junto com a ameaça atual do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), pode levar o país a uma crise ainda mais profunda.
“Todas os atores políticos e suas bases de apoio devem manter a calma e o respeito pelo processo político regido pela Constituição. As pessoas do Iraque merecem viver em um país seguro, próspero e estável, em que todos os grupos, incluindo as minorias religiosas e étnicas, possam contribuir de forma significativa e sentir-se parte do país”, pediu.
Situação humanitária
Enquanto isso, agências da ONU atuando no país alertaram para a situação de milhares de pessoas deslocadas pelos ataques do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e chamaram a atenção para cerca de 50 mil que se encontram sitiadas nas montanhas de Sinjar há uma semana. A porta-voz da Missão da ONU no Iraque (UNAMI), Eliana Nabaa, informou que mais de 10 mil conseguiram ser evacuadas, mas que outras continuam à espera de ajuda humanitária.
“Realizamos algumas operações aéreas mas não são suficientes dada a situação extremamente difícil”, disse ao esclarecer que a ONU e seus parceiros nacionais e internacionais estão estudando a possibilidade de abrir um corredor humanitário para poder oferecer uma saída segura para essas pessoas.
Segundo o Escritório de Coordenação da ONU para Assuntos Humanitários (OCHA), outras 200 mil pessoas fugiram para a região do Curdistão e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que metade delas sejam crianças.
“Enfrentamos com um crise humanitária crescente que não parece que diminuirá nos próximos dias”, afirmou a porta-voz.
Em apoio ao Ministério de Saúde do Iraque, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF lançaram uma campanha de imunização de pólio para proteger cerca de quatro milhões de crianças com menos de cinco anos. O representante da OMS no país, Syed Jaffar Hussain, explicou que “com a proliferação da violência, as crianças têm sido deslocadas até três vezes com suas famílias, muitas vezes vivendo em lugares superlotados, onde sofrem um risco muito mais alto de contrair doenças infecciosas”.