Secretário-geral da ONU pede que israelenses e o Hamas aceitem acordo de cessar-fogo

Diante de novo impasse, Ban Ki-moon pediu às partes que recomecem o diálogo de paz e usem todos os esforços para acabar com as hostilidades. Pelo menos 38 crianças palestinas foram mortas por forças de Israel.

Diante de novo impasse, Ban Ki-moon pediu às partes que recomecem o diálogo de paz e usem todos os esforços possíveis para acabar com as hostilidades. Pelo menos 38 crianças palestinas foram mortas por forças de Israel.

Médicos levam crianças da Palestina feridas durante um ataque aéreo de Israel contra a cidade de Gaza para o Hospital Al-Shifa, em 11 de julho. Pelo menos 40 crianças foram mortas em ataques aéreos em Gaza, com mais de 300 feridos. Em Israel, 4 crianças foram feridos por foguetes. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Médicos levam crianças da Palestina feridas durante um ataque aéreo de Israel contra a cidade de Gaza para o Hospital Al-Shifa, em 11 de julho. Pelo menos 40 crianças foram mortas em ataques aéreos em Gaza, com mais de 300 feridos. Em Israel, 4 crianças foram feridos por foguetes. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

“Me senti encorajado quando o governo israelense aceitou a proposta de cessar-fogo negociada pelo presidente egípcio, mas, ao mesmo tempo, me preocupou e decepcionou profundamente que o Hamas não aceitasse essa proposta e a violência recomeçasse entre ambas as partes”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante uma coletiva de imprensa no Haiti nesta terça-feira (15), onde estava em uma viagem oficial.

O chefe da ONU havia conversado com o presidente egípcio Abdul Fatah Khalil Al-Sisi no último domingo (13), quando expressou o seu apoio à iniciativa de acordo de cessar-fogo coordenada pelo chefe de Estado do Egito.

Na ocasião, o porta-voz da ONU, Farhan Haq, alertou que Ban se encontrava “profundamente preocupado que a luta não tenha acabado, apesar da disponibilidade de Israel em aceitar a proposta de cessar-fogo e o apoio da Autoridade Palestina”.

Diante do novo impasse, o secretário-geral pediu a todas as partes que voltem à mesa de diálogo e usem todos os esforços possíveis para facilitar um cessar-fogo, que representa “a única opção viável neste momento”.

“Minha mensagem é que esta violência deve terminar. As duas partes – a Autoridade Palestina e os israelenses – devem recomeçar o diálogo da paz o mais rápido possível”, disse Ban.

Ele lembrou que esta é a terceira escalada de violência que ocorre na Faixa de Gaza, sendo a primeira no final de 2008 e começo de 2009 e a segunda em 2012, com um cessar-fogo ocorrendo em novembro de 2012. “É inaceitável que a violência ocorra periodicamente dessa forma”, afirmou.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) disse nesta terça-feira (15), que o tamanho da perda humana e destruição em Gaza, como resultado do atual conflito com Israel, tem sido “imenso”, descrevendo que os oito dias de hostilidade resultaram na morte de 194 pessoas e deixaram mais de 1.390 feridas.

“Essa cifra aumenta a cada hora”, disse o porta-voz do UNRWA, Sami Mshasha. “Nós notamos que um grande número de pessoas mortas e feridas eram crianças e isso traz uma enorme preocupação para o UNRWA.”

No total, 1.370 residências foram severamente danificadas ou completamente destruídas por bombardeios aéreos israelenses, deixando mais de 8 mil pessoas sem casa.

O porta-voz do UNRWA disse que há uma grande expectativa sobre o cessar-fogo e, caso isso não ocorra, existem receios de que “os civis em Gaza terminarão pagando novamente o preço final”.

Desde que as hostilidades começaram, há pouco mais de uma semana, lideranças da ONU e o Conselho de Segurança já pediram para pôr fim aos ataques, restaurar a calma e restituir o cessar-fogo estabelecido em 2012.

Acompanhe a situação em Gaza em www.onu.org.br/especial/gaza