Secretário-Geral da ONU pede que líderes da Liga Árabe ‘escutem as pessoas’

“Os povos do mundo árabe estão pedindo por dignidade, liberdade e direitos humanos”, disse Ban Ki-moon em declaração para a Cúpula da Liga Árabe no Iraque.

(ONU/JC McIlwaine)O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje (29/03) aos membros da Liga dos Estados Árabes que se dediquem a ouvir as pessoas e a acolher a transição democrática da região. “Os povos do mundo árabe estão pedindo por dignidade, liberdade e direitos humanos”, afirmou Ban na declaração para a Cúpula da Liga Árabe realizada em Bagdá, Iraque.

Para Ban, a Primavera Árabe deu um novo propósito à Liga Árabe. “Minha mensagem para vocês [membros da Liga Árabe] é muito simples. Ela se baseia em tudo que temos visto e tudo que sabemos. Escutem as pessoas”. Na opinião do Secretário, para que a transição seja bem sucedida, as reformas devem ser genuínas; os governos devem promover o diálogo inclusivo; as mulheres devem estar no centro do futuro da região; e novas oportunidades e empregos devem ser criados para os jovens.

“Os ventos das mudanças não vão deixar de soprar. Por décadas as pessoas do mundo árabe viram ditaduras serem derrubadas e democracias emergirem na Europa, Ásia e África”, disse.

Ban reiterou o compromisso da ONU em trabalhar com a Liga Árabe para promover a paz e a estabilidade na região, ressaltando que agora os laços entre as duas organizações estão mais fortes e trazem resultados mais tangíveis como mostrado pelo apontamento de seu enviado conjunto para Síria, Kofi Annan, cuja proposta para encerrar a crise foi aceita pelo Governo Sírio. “É essencial que o Presidente Assad coloque os compromissos em vigor imediatamente. O mundo espera por isso. A chave aqui é a implementação”.

O Secretário-Geral mencionou também a situação entre israelenses e palestinos. Notando que os palestinos têm um legítimo direito de um Estado independente e viável, e que os israelenses têm um direito legítimo de viver em paz e segurança, ele exortou os líderes a “demostrarem coragem e visão para alcançar um acordo histórico” sobre suas diferenças. “Juntos, nós devemos criar as condições para as negociações que vão resolver as questões centrais do conflito e vão acabar com a ocupação que começou em 1967”.