Região administrada pela organização que fica entre Síria e Israel passou por diversos incidentes de segurança. Após dois sequestros de tropas, em meio ao conflito na Síria que tem se alastrado, a Áustria anunciou a retirada de seus soldados.

Soldados da missão da ONU realizam patrulha nas Colinas de Golã. Foto: ONU/Wolfgang Grebien
Alertando que os recentes confrontos na área das Colinas de Golã estão ameaçando o cessar-fogo de décadas entre Síria e Israel e colocando os civis e o pessoal das Nações Unidas em risco, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, recomendou nesta quinta-feira (13) o reforço da capacidade de auto-defesa da missão local da ONU.
“Dada a situação de segurança em evolução na área de operação da UNDOF [sigla da missão da ONU], é necessário considerar outros ajustes para a postura e as operações da missão”, escreveu Ban escreve em seu último relatório ao Conselho de Segurança sobre a missão. O Conselho se reunirá com países que contribuem com tropas da UNDOF nesta quinta.
O chefe da ONU citou a repercussão da crise na Síria, onde grupos armados de oposição e do governo estão há mais de dois anos em um conflito sangrento, com consequentes tensões provocadas no Golã entre a Síria e Israel.
Ban recomendou que o Conselho prorrogue o mandato da força da ONU por mais seis meses, até 31 de dezembro deste ano.
Ele destacou que tanto o governo da Síria quanto de Israel apoiaram a extensão do mandato. Ban recomendou no documento que o Conselho considere, “como uma questão de prioridade”, ajustes na missão, melhorando inclusive as suas capacidades de auto-defesa e aumentando sua força de 300 para cerca de 1.250 tropas.
A UNDOF, que monitora o acordo de desengajamento de 1974 entre Síria e Israel, após a guerra de 1973, enfrentou recentemente uma série de riscos de segurança e outros desafios operacionais.
Na semana passada, os membros do Conselho de Segurança expressaram preocupação com a retomada dos combates nas Colinas de Golã e com a perspectiva de os países retirarem suas tropas. Dois soldados ficaram feridos em meio a um intenso combate na área de fronteira entre os dois países.
Além disso, desde o início de março as forças de paz da região tiveram soldados capturados por duas vezes na zona neutra administrada pela ONU e foram mantidos presos por breves períodos por grupos armados. Em ambos os incidentes as tropas foram libertadas em segurança.
A Áustria – que contribui com cerca de um terço das tropas da UNDOF – anunciou no último dia 6 de junho sua decisão de retirar seus soldados, citando a falta de liberdade de movimento e um nível ‘inaceitável’ de perigo para o seu pessoal.