Precariedade de segurança e assistência para refugiados na Líbia preocupa ONU

Para fugir da violência, muitos tentam cruzar o Mediterrâneo em travessias ilegais em direção à Itália. Outros não conseguem sair por terra dadas as restrições das autoridades líbias.

Estes refugiados da Eritreia e Somália em Bengazi, na Líbia, relataram para o ACNUR os seus problemas e expressaram o desejo de ir para a Europa. Foto: ACNUR/L. Dobbs

Estes refugiados da Eritreia e Somália em Bengazi, na Líbia, relataram para o ACNUR os seus problemas e expressaram o desejo de ir para a Europa. Foto: ACNUR/L. Dobbs

Milhares de refugiados e requerentes de asilos que se encontram na Líbia contactaram as Nações Unidas para pedir assistência médica e informações sobre refúgios seguros devido à escalada de violência no país.

“Somente em Trípoli, mais de 150 pessoas da Eritreia, Somália e outros países ligaram para a nossa central de ajuda pedindo remédios e informação sobre lugares seguros para se hospedar”, disse a porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), Ariane Rummery. “Estamos recebendo também várias ligações de requerentes de asilo procedentes da Síria e Palestina e refugiados em Bengazi que necessitam ajuda urgentemente”, disse a porta-voz.

Por outro lado, com a deterioração da situação de segurança, muitos refugiados optam por deixar o território líbio ao tentar cruzar o Mar Mediterrâneo numa jornada perigosa, organizada por traficantes de seres humanos que prosperam nesse ambiente crescente de ilegalidade.

Segundo a porta-voz, a violência recente ao redor de Trípoli parece ter movido pontos de partida para lugares ao leste do país, como Al-Khums e Bengazi, o que significa uma jornada ainda mais longe até a Itália, país para o qual a maioria das embarcações ilegais se dirigem.

Neste ano, estima-se que cerca de 77 mil pessoas chegaram à Itália procedentes da Líbia. No entanto, mais de mil morreram durante a travessia e apenas na semana passada 128 se afogaram perto da costa de Al-Khums. A maioria delas era de nacionalidade africana e muitas eram crianças e mulheres.

Rummery mostrou sua preocupação com casos específicos de pessoas impossibilitadas de cruzar as fronteiras da Líbia e pediu para que as autoridades do país relaxem as restrições de saída para permitir que as pessoas possam cruzar as fronteiras.