Seminário internacional em Brasília discute pobreza e desigualdade social

Brasil reduziu seu índice de extrema pobreza em 10% entre 1980 e 2012. Crescimento econômico deve ser conciliado a políticas públicas como os programas de transferência de renda.

Foto: Banco Mundial

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O Seminário Internacional Mundo Sem Pobreza (WWP) realizado na terça (18) e quarta-feira (19) em Brasília discutiu os desafios que envolvem a pobreza e as desigualdades sociais, assim como os métodos a serem implementados para lidar com a questão em escala global. Cerca de 1 bilhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no mundo todo.

Em 2010, o número de pessoas que vivem em extrema pobreza foi reduzido pela metade – cinco anos antes do prazo estabelecido para a meta pelos Objetivos do Milênio. O Brasil reduziu seu índice de extrema pobreza de 13,6% para 3,6% da população entre 1980 e 2012. Enquanto isso, a China baixou essa taxa de 84,3% para cerca de 6% no mesmo período.

Entretanto, pelo menos 75% da população dos países em desenvolvimento vive em sociedades que se tornaram mais desiguais nos últimos 20 anos – metade da renda global está concentrada nos 8% mais ricos do mundo. A escassez ou falta de serviços básicos – como saúde, educação, moradia, saneamento – está diretamente ligada ao baixo acesso à renda.

Além disso, a degradação ambiental e as mudanças climáticas ainda tendem a dificultar ainda mais este cenário, uma vez que uma parcela significativa das camadas mais pobres vive nas áreas mais vulneráveis às suas consequências, como tempestades, inundações, secas e deslizamentos de terra.

O economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik Basu, afirmou que o crescimento econômico deve ser conciliado a políticas públicas – a exemplo dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família – e a incentivos econômicos bem planejados.

Já o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Sergei Soares, ressaltou a importância de programas como o ‘Brasil Sem Miséria’, a maior política de combate à pobreza e à desigualdade do país, implementada em 2003. Entre 2002 e 2009, a renda dos brasileiros mais pobres começou a crescer 7% ao ano – quase três vezes mais do que a média nacional –, enquanto a dos 10% mais ricos subia 1,1% ao ano.