Seminários estimulam iniciativas locais de proteção ambiental no norte de MG

Para fortalecer iniciativas locais de proteção ambiental e de populações ribeirinhas de municípios de Minas Gerais, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) criaram o Projeto Bem Diverso. A iniciativa reuniu lideranças locais durante seminários realizados entre 13 e 15 de março.

Entrada da comunidade de Montezuma, local do seminário sobre a bacia do Rio Pardo. Foto: Valdir Dias.

Entrada da comunidade de Montezuma, local do seminário sobre a bacia do Rio Pardo. Foto: Valdir Dias.

Montezuma, município ao norte de Minas Gerais, abriga as principais nascente do Rio Pardo que corre em direção a Canavieiras, na Bahia, onde deságua no Oceano Atlântico. Em quase toda sua extensão, o rio corta uma região com baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM – de 0,587 em 2010).

No lado mineiro, vivem os geraizeiros, população tradicional que sofre com a escassez da água. A comunidade lida com pressões da agricultura e pecuária extensiva, além de cultivo de eucalipto praticado por grandes fazendas e empresas. Essas atividades não sustentáveis contaminam as reservas de água da região, o que prejudica a subsistência dessa população.

Para fortalecer iniciativas locais de proteção do Território da Cidadania Alto Rio Parto, onde fica Montezuma, e planejar o cronograma para as próximas atividades a serem realizadas na região, o Projeto Bem Diverso reuniu lideranças locais entre 13 e 15 de março.

O Projeto Bem Diverso é uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

No primeiro dia, os representantes do projeto se encontraram com membros do Comitê Local e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, em Rio Pardo de Minas (MG), para avaliação das atividades já realizadas.

O Comitê reúne representantes dos agricultores e extrativistas, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Escola Família Agrícola (EFA) Nova Esperança, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais, cooperativas e órgãos públicos.

O segundo evento na região foi o Seminário Articulação da Bacia do Rio Pardo: Construindo Sintonia da Nascente à Foz, ocorrido entre 14 e 15 de março, na comunidade Pau d’Arco, em Montezuma, Minas Gerais.

A proposta do seminário foi fortalecer iniciativas locais de proteção do rio e ações para minimizar impactos ambientais na região. Participaram representantes de povos tradicionais que vivem na região da Bacia do Rio Pardo em Minas e na Bahia; movimentos sociais; representantes de sindicatos de trabalhadores rurais, organização da sociedade civil e secretarias municipais. Além do CAA-NM e do Bem Diverso, o evento também contou com a parceria do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) do estado da Bahia.

“Estamos reativando na Comunidade Água Boa o viveiro com espécies nativas, cujas atividades envolvem jovens e mulheres. Faremos um trabalho integrado de recuperação das nascentes, além de capacitações com os agroextrativistas do Território e estudantes da EFA Nova Esperança”, explica o assessor técnico do Projeto Bem Diverso, Fernando Moretti.

Segundo João Chiles, geraizeiro da comunidade Pau d’Arco e um dos organizadores do evento, os saberes tradicionais passados por gerações ensinaram a comunidade a utilizar os recursos do rio para plantar e colher nas épocas certas, a fazer o manejo do solo e das espécies de modo sustentável. Porém, com os impactos ambientais e com a mudança global do clima, esses saberes tradicionais também são afetados.

“A seca aumenta a cada ano e isso impacta diretamente a vida do geraizeiro, que além do recurso limitado de consumo da água, vê sua agricultura tradicional e o extrativismo extremamente afetados”, relatou.

Para construir uma estratégia eficiente de proteção, o seminário apontou as seguintes ações a serem planejadas e implementadas: promoção da educação ambiental; cercamento de nascentes; intercâmbios entre comunidades que protegem o rio; construção de bacias de contenção e garantia de gestão dos territórios tradicionais instituídos e em processo de luta.