Simpósio em Brasília aborda 13 anos de participação do Brasil na MINUSTAH

A experiência brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) demonstrou que uma nação emergente pode e deve colaborar para que o desenvolvimento, a paz e os direitos humanos estejam sempre interligados e convergentes, disse o coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic.

Ele participou na semana passada de um simpósio em Brasília promovido pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) para discutir os 13 anos de participação brasileira na missão da ONU no Haiti, encerrada este ano.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A experiência brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) demonstrou que uma nação emergente pode e deve colaborar para que o desenvolvimento, a paz e os direitos humanos estejam sempre interligados e convergentes, disse o coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic. Ele participou na semana passada de um simpósio em Brasília promovido pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB).

O evento, que também teve a participação do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e dos comandantes das três Forças Armadas, foi realizado para abordar a trajetória brasileira nos 13 anos de participação na MINUSTAH, encerrada este ano.

“Esta é uma semana especial para a cooperação entre Haiti e Brasil. Na última segunda-feira (16), o secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o estabelecimento da Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH, na sigla em inglês), imediatamente após o encerramento da MINUSTAH”, disse Fabiancic durante o evento.

“Nas próprias palavras do secretário-geral da ONU, o encerramento da MINUSTAH ‘é um testemunho do progresso do Haiti nos últimos 13 anos’. O senhor Guterres expressou também sua gratidão a todos os militares e civis que serviram na MINUSTAH, assim como aos países que contribuíram com tropas e policiamento”, completou.

“Em síntese, pode-se afirmar que a experiência brasileira no Haiti foi como um laboratório onde o país desenvolveu e aprimorou habilidades tanto em termos militares quanto em termos de ajuda humanitária. Aprendeu muito, mas também transmitiu seu conhecimento, sua experiência, sua cultura”, declarou Fabiancic.

Segundo o coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, a experiência brasileira no Haiti contribuiu para a solidificação do multilateralismo, tanto nacional quanto internacionalmente, demonstrando que “uma nação emergente pode e deve colaborar para que o desenvolvimento, a paz e os direitos humanos estejam sempre interligados e convergentes”.

O simpósio “Brasil no Haiti, um caso de sucesso” foi realizado nas instalações do Comando Militar do Planalto (CMP) e abordou temas relacionados ao componente militar da MINUSTAH no país caribenho, entre eles, a estabilização do país, ações humanitárias e iniciativas após o terremoto de 2010 e o Furacão Matthew.

A primeira palestra do simpósio foi ministrada pelo general Enzo Martins Peri, antigo comandante do Exército, que abordou o tema “Perspectivas Política e Estratégica no período inicial da MINUSTAH”.

O general relembrou as adversidades vivenciadas pelo componente militar nos primeiros anos da operação, marcadas pelo confronto com gangues haitianas, ressaltando o profissionalismo dos militares brasileiros no cumprimento da missão.

Já a embaixatriz Roseana Aben-Athar Kipman abordou o aspecto humano do militar brasileiro no contato com a população do Haiti.

“Vi com meus próprios olhos o empenho e a dedicação acima do dever dos valorosos homens e mulheres das Forças Armadas do Brasil, especialmente no trágico episódio do terremoto. Foi uma experiência emocionante e que deve ser mais conhecida pela população brasileira”, declarou.

Ao final do primeiro dia de simpósio, houve o lançamento do livro “A participação do Brasil na MINUSTAH (2004-2017): percepções, lições e práticas relevantes para futuras missões”, uma co-edição entre o CCOPAB e o Instituto Igarapé. A obra é uma coletânea de 13 artigos, de autoria de civis e militares, abordando o esforço integrado durante a MINUSTAH.

O evento teve a participação dos comandantes das três Forças Armadas brasileiras: general de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante do Exército brasileiro; tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, comandante da Força Aérea Brasileira; e do almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, comandante interino da Marinha do Brasil.

Também estiveram presentes o antigo chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general de Exército José Elito Carvalho Siqueira; o antigo comandante do Exército Brasileiro, general de Exército Enzo Martins Peri; a presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, deputada federal Bruna Furlam; além de outros oficiais generais, militares estrangeiros, adidos e militares das Forças Armadas.

Entre os palestrantes, participaram alguns dos antigos “force commanders” da MINUSTAH, como o general do Exército José Elito Carvalho Siqueira; os generais de divisão Floriano Peixoto Vieira Neto, Luiz Guilherme Paul Cruz, Luiz Eduardo Ramos; e general Ajax Porto Pinheiro, último “force commander” da MINUSTAH.

Destaca-se ainda a participação, como palestrante, do general de divisão André Luis Novaes Miranda, comandante de tropas do Exército do 3º Contingente Brasileiro na MINUSTAH; do contra-almirante (FN) Carlos Chagas Vianna Braga, antigo assessor do 1º Force Commander da MINUSTAH.

Também estiveram presentes a promotora de Justiça Militar Najla Nassif Palma; o brigadeiro José Maria Lins Calheiros, coordenador do Hospital de Campanha da Força Aérea Brasileira no apoio às vítimas do terremoto de 2010; o tenente-coronel (R1) Sérgio Luiz Cruz Aguilar, professor de Relações Internacionais da UNESP-Marília; o coronel Policial Militar Francisco Luiz da Fonseca Issa, oficial de investigação e inteligência do IDP Camp Unit, UNPOL; a embaixadora Maria Luisa Escorel de Moraes, diretora do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores; e o jornalista Luis Kawaguti.