Síria: 13,5 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária

Conflito se agravou nos últimos dez meses, de acordo com o chefe humanitário da ONU. Apenas em outubro, 120 mil pessoas foram forçadas a se deslocar no norte do país, onde bombardeios aéreos e confrontos por terra ameaçam segurança de civis.

Pessoas deslocadas em 2015 já somam mais de 1,2 milhão. Foto: ACNUR / S. Rich

Pessoas deslocadas em 2015 já somam mais de 1,2 milhão. Foto: ACNUR / S. Rich

O chefe do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Stephen O’Brien, chamou atenção nesta terça-feira (27) para o agravamento recente do conflito na Síria.

Segundo a agência da ONU, 120 mil pessoas foram forçadas a se deslocar no norte do país, desde o início de outubro, em função de bombardeios aéreos e ofensivas por terra. O número de indivíduos deslocados em 2015 já ultrapassa 1,2 milhão.

“Ataques indiscriminados a áreas habitadas por civis continuam com impunidade”, afirmou O’Brien que, além de liderar o OCHA, é subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador de Emergências.

Já foram registrados ataques a cinco hospitais nas províncias de Hama, Aleppo e Idleb. Além de destacar o recrudescimento das tensões ao longo do mês, o chefe humanitário das Nações Unidas também ressaltou que a situação na Síria piorou desde o início do ano.

Atualmente, 13,5 milhões de pessoas precisam de alguma forma de assistência ou proteção humanitária no país, número que representa um aumento de 1,2 milhão em apenas dez meses.

Apesar desse enorme contingente, apenas 23 das 85 solicitações de passagem de comboios com provisões da ONU foram aceitas pelo Ministério das Relações Exteriores sírio. Concretamente, menos da metade das missões liberadas foram realizadas, devido à falta de garantias de segurança pelas autoridades sírias ou por grupos armados de oposição.

O OCHA também estima que mais de 393 mil pessoas vivem sitiadas em áreas controladas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), pelo governo sírio ou por outros grupos armados não estatais, como a Frente Al-Nusrah, afiliada à Al-Qaeda.

Nessas regiões sob cerco, a ONU só conseguiu oferecer assistência médica a 3,6% da população. Esse valor cai para 0,5%, se consideradas as provisões de alimento fornecidas. Na semana passada, um acordo de cessar-fogo permitiu a distribuição de suprimentos a mais de 29 mil pessoas.