De acordo com o diretor de comunicação do UNICEF na Síria, Kieran Dwyer, os grupos de oposição armados lançaram uma grande ofensiva no final de julho, atacando região densamente povoada de Alepo.

Mulher e crianças em frente a um hospital no centro de Al-Radwaniyah, na parte rural de Alepo, na Síria. Foto: UNICEF / Khoud Al-Issa
Cerca de 25 mil pessoas, incluindo 12 mil crianças, foram deslocadas de um bairro na parte ocidental de Alepo, na Síria, após intensos ataques iniciados no final de julho (31) por grupos armados da oposição.
A informação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na Síria, que pediu às partes envolvidas no conflito que façam todo o possível para proteger os civis da região.
De acordo com o diretor de comunicação do UNICEF na Síria, Kieran Dwyer, os grupos de oposição fizeram uma grande ofensiva no final da tarde de domingo e à noite, atacando através da parte ocidental de Alepo, que é bastante povoada.
Intensos combates, envolvendo ataques aéreos e o uso de armas pesadas, continuaram no decorrer da noite e durante a segunda-feira.
Dwyer afirmou que muitas pessoas já haviam sido deslocadas várias vezes do bairro atingido e estavam abrigadas temporariamente em prédios inacabados, onde o UNICEF e parceiros forneciam assistência humanitária.
Após os últimos conflitos, muitos estão alocados em mesquitas e parques. Para atender a população deslocada, a agência da ONU está executando caminhões emergenciais com água.
Para o diretor de comunicação, não é possível saber, até o momento, se a dinâmica dos combates vai resultar em mais deslocamentos. “Estamos observando e respondendo a cada etapa.”
“Enquanto isso, a ajuda humanitária não consegue alcançar o leste da cidade de Alepo desde o início de julho”, acrescentou Dwyer, notando que o UNICEF e todos os parceiros estão pedindo acesso imediato à área, onde 300 mil pessoas, incluindo mais de 120 mil crianças, precisam de alimentos, de água potável e de serviços de saúde.
Dwyer também advertiu que o sistema de saúde em Alepo está em “uma situação terrível”, após os quatro ataques a hospitais na semana passada. Há apenas 30 médicos para atender 300 mil pessoas.
Sobre a criação dos “corredores humanitários” propostos pela Rússia, Dwyer disse que tais acordos devem ser executados pelas equipes da ONU e de parceiros humanitários.
O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Farhan Haq, disse na segunda-feira que a ONU apela a todas as partes em conflito que permitam o acesso humanitário seguro, sem obstáculos e imparcial em conformidade com o direito internacional humanitário.
“A ONU continua profundamente preocupada com a situação das pessoas presas em Alepo, sobretudo após relatórios indicarem que intensos combates prosseguiram nos últimos dias e que muitas lojas fecharam.”
Haq também disse que o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, visitou Teerã no domingo e conversou com o assistente do ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Jaberi Ansari, sobre os meios necessários para se chegar a uma solução política para a crise na Síria.
Staffan de Mistura afirmou que deve convocar uma nova rodada de negociações de paz na Síria até o final de agosto.