Síria: Agência da ONU leva ajuda humanitária para 10 mil pessoas

Conflito na Síria entre governo e forças da oposição, que já deixou cerca de 80 mil mortos em mais de 2 anos, se intensificou. Impedimentos para cruzar as fronteiras de países vizinhos preocupam agência da ONU para refugiados (ACNUR).

Uma distribuição de ajuda humanitária no início deste ano na área de Azzas, ao norte da Síria. Foto: ACNUR/A.Solumsmoen

Uma distribuição de ajuda humanitária no início deste ano na área de Azzas, ao norte da Síria. Foto: ACNUR/A.Solumsmoen

No último sábado (25), cobertores, colchões e utensílios domésticos fornecidos pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) foram distribuídos para 200 famílias desalojadas do bairro de Al Wa’er, em Homs, na Síria. Na segunda-feira (27), um caminhão do ACNUR que levava itens de ajuda humanitária para 10 mil pessoas também chegou ao bairro.

“Fortes confrontos eclodiram entre o governo e as forças da oposição em Al Wa’er — onde aproximadamente 400 mil pessoas moram — no dia 16 de maio e foram interrompidos por uma pausa de dois dias, que começou no sábado”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Adrien Edwards. “No decorrer das lutas recentes, pelo menos cinco prédios que hospedam centenas de pessoas deslocadas foram seriamente danificados.”

O conflito desalojou cerca de 5 mil pessoas, com 250 famílias fugindo para outras partes da cidade de Homs, onde estão hospedadas com parentes. Muitas pessoas já foram deslocadas várias vezes, outras cruzaram a fronteira para o Líbano na semana passada.

O ACNUR continua preocupado com os impedimentos relatados pelas pessoas que buscam cruzar as fronteiras como refugiados. Cerca de 230 refugiados chegaram ao acampamento Za’atari, na Jordânia, nesta segunda-feira (27), com números similares durante o fim de semana.

No entanto, de acordo com a agência da ONU, o número de pessoas ainda está significativamente abaixo dos níveis de duas semanas atrás. A agência adicionou que também estão sendo relatados impedimentos no cruzamento da fronteiras da Síria com o Iraque.

Dirigindo-se à 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra — que discute a situação na Síria nesta quarta-feira (29) para considerar um projeto de resolução –, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, falou sobre o derramamento de sangue e o sofrimento crescente na Síria. Pillay pediu à comunidade internacional para pôr fim ao que se tornou “uma afronta intolerável para a consciência humana”, segundo ela.

“Um desastre humanitário, político e social já está diante nós e o que nos é revelado é realmente um pesadelo”, disse ela. “Civis aguentam o peso de uma crise onde as violações dos direitos humanos atingiram dimensões horríveis. Diante do desrespeito constante ao direito internacional e à vida humana por todos os lados, eu sinto um desalento total.”