Os intensos bombardeios na região síria de Idlib por forças do governo e aliados, junto a uma série de ataques de atores não estatais, provocaram várias mortes de civis e deixaram cerca de 1 milhão de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. O alerta foi feito nesta terça-feira (19) pela chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
“Um grande número de civis, incluindo centenas de milhares de pessoas deslocadas, em Idlib e no norte de Aleppo, está vivendo uma existência intolerável, disse Bachelet. “Elas estão presas entre o agravamento de hostilidades e bombardeios de um lado, e, do outro, são forçadas a viver sob o regime extremista do Hay’at Tahrir Al-Sham e outros combatentes extremistas que frequentemente realizam assassinatos, sequestros e detenções arbitrárias”.

Equipes de resgate da Defesa Civil trabalham em escombros após bombardeios na província síria de Idlib. Foto: Civil Defense Idlib
Os intensos bombardeios na região síria de Idlib por forças do governo e aliados, junto a uma série de ataques de atores não estatais, provocaram várias mortes de civis e deixaram cerca de 1 milhão de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. O alerta foi feito nesta terça-feira (19) pela chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
A alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu que todas as partes envolvidas, assim como governos externos influentes, garantam que a proteção de civis esteja no topo do planejamento e da execução de todas as operações militares, como prevê a lei internacional.
Os bombardeios da “zona desmilitarizada”, que inclui Idlib e áreas ao norte e oeste, começaram a se agravar em dezembro de 2018 e foram intensificados recentemente. Paralelamente, houve um aumento de confrontos corpo-a-corpo entre atores não estatais, assim como do uso de aparatos explosivos improvisados em áreas controladas por eles, incluindo o grupo extremista Hay’at Tahrir Al-Sham (HTS).
Embora não tenha sido possível contabilizar o total de civis assassinados e feridos, relatos confiáveis de incidentes específicos incluem ao menos 48 mortos e 88 feridos. Entre as vítimas civis, havia homens, mulheres, meninos e meninas.
Na segunda-feira (18), 16 civis – incluindo mulheres e crianças – foram mortos, segundo relatos, e mais de 70 ficaram feridos no bairro de Qusour, em Idlib, por dois aparatos explosivos. O segundo explosivo aparentava ter sido projetado para matar e mutilar pessoas, incluindo socorristas que tentavam auxiliar as vítimas da primeira bomba.
“Um grande número de civis, incluindo centenas de milhares de pessoas deslocadas, em Idlib e no norte de Aleppo, está vivendo uma existência intolerável, disse Bachelet. “Elas estão presas entre o agravamento de hostilidades e bombardeios de um lado, e, do outro, são forçadas a viver sob o regime extremista do Hay’at Tahrir Al-Sham e outros combatentes extremistas que frequentemente realizam assassinatos, sequestros e detenções arbitrárias”.
“Peço para todas as partes envolvidas, em primeiro lugar, garantirem que os próprios civis e infraestruturas civis sejam protegidos como exigido pela lei humanitária internacional e pela lei internacional de direitos humanos”, disse a alta-comissária. “Os princípios de distinção, proporcionalidade e precaução devem ser totalmente respeitados e objetos militares não devem ser colocados nas proximidades de civis”.
Bachelet também expressou preocupação com o bem-estar de cerca de 20 mil pessoas que fugiram de áreas controladas pelo grupo Estado Islâmico na província de Deir-ez-Zor nas últimas semanas. Estas pessoas agora estão em acampamentos improvisados comandados por grupos armados curdos, incluindo as Forças Democráticas Sírias (SDF), apoiadas pelos Estados Unidos. Segundo relatos, os grupos estão impedindo que pessoas internamente deslocadas deixem os acampamentos, no que parece ser equivalente à privação de liberdade.
A alta-comissária disse permanecer especialmente preocupada com a situação de cerca de 200 famílias que, segundo relatos, estão presas em uma pequena área ainda sob controle do Estado Islâmico. Muitas delas estão sendo aparentemente impedidas de sair pelo grupo terrorista, e continuam sendo alvo de intensos ataques aéreos e em solo por forças da coalizão liderada pelos EUA e seus aliados.
“Civis continuam sendo usados como peões pelas diversas partes”, disse Bachelet. “Peço que garantam passagem segura para aqueles que desejam fugir, e o máximo de proteção para aqueles que desejam permanecer. Eles não devem ser sacrificados por conta da ideologia por um lado, ou pela conveniência militar, de outro. Se proteger vidas civis significa levar mais alguns dias para capturar a última fração de terra controlada pelo Estado Islâmico, então que assim seja”.