Síria: Comboio humanitário da ONU chega a Madaya, onde milhares de pessoas correm risco de inanição

“Multidões de crianças passando fome”, descreveu a representante do ACNUR, Sajjad Malik, ao chegar a Madaya, cidade sitiada por forças pró-governo, onde 42 mil pessoas enfrentam risco de morte por inanição.

Caminhões levam suprimentos para os moradores de Madaya, na Síria. Foto: OCHA Síria

Caminhões levam suprimentos para os moradores de Madaya, na Síria. Foto: OCHA Síria

Um comboio humanitário coordenado pelas Nações Unidas e agências parceiras conseguiu chegar, nesta segunda-feira (11), à cidade síria de Madaya, que estava sitiada por forças pró-governo e não recebia assistência desde outubro de 2015. Cerca de 42 mil pessoas moram no local e, segundo relatos credíveis recebidos pela ONU, enfrentam risco de morte por inanição. Ao longo dessa semana, 49 caminhões devem chegar à cidade com suprimentos.

De acordo com a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), 23 sírios, entre eles, seis crianças, morreram de fome em Madaya, em dezembro. A ONU também foi informada de que pessoas que tentaram sair da cidade foram agredidas ou mortas. O comboio que chegou à região carregava alimentos, provisões de assistência médica, cobertores, materiais para a construção de abrigos e sabonetes. Nos próximos dias, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) deverá entregar cobertores, roupas para o inverno, galões e fraldas à população.

“Multidões de crianças passando fome”, descreveu a representante da agência da ONU, Sajjad Malik, ao chegar à cidade sitiada. Na semana passada, representantes das Nações Unidas já haviam considerado a situação de Madaya “horrenda”. Os comboios humanitários que finalmente conseguiram entrar no local são fruto de uma parceria da ONU, do Crescente Vermelho Árabe Sírio e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Também nesta segunda-feira (9), a ONU e seus parceiros entregaram a mesma assistência humanitária para os habitantes de Foah e Kafraya, cidades próximas à fronteira com a Turquia, sob cerco de forças de oposição. Estima-se que 20 mil pessoas passando por necessidades extremas morem nesses locais. Ambas as cidades não recebiam ajuda de organizações internacionais desde outubro, como Madaya. Segundo informações das agências da ONU, por conta da guerra, cerca de 400 mil pessoas vivem em áreas sitiadas na Síria.