A situação dos civis em Alepo, na Síria, é crítica e exige a atenção e resposta imediata, alertou a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o país, expressando séria preocupação com a segurança das pessoas na cidade, incluindo 100 mil crianças que estão em meio ao fogo cruzado.

Famílias se abrigam em mesquita após onda recente de ataques em Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Khuder Al-Issa
A situação dos civis em Alepo, na Síria, é crítica e exige a atenção e resposta imediata, alertou na terça-feira (16) a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o país, expressando séria preocupação com a segurança das pessoas na cidade, incluindo 100 mil crianças que estão em meio ao fogo cruzado.
De acordo com a comissão, civis estão morrendo em Alepo devido a bombardeios aéreos diários lançados pelo governo. Ataques também mataram equipes de resgate que atuavam na busca por sobreviventes, incluindo integrantes da Defesa Civil síria.
Bombardeios também destruíram mais de 25 hospitais e clínicas desde janeiro, matando pacientes e profissionais de saúde. Além disso, mais de 2 milhões de civis na cidade não têm acesso à água corrente, e os mercados, padarias e estações de bombeamento de água foram danificados durantes os conflitos.
“A situação na cidade de Alepo tem sido catastrófica por muitos anos. Tão impensáveis como são, os ataques atuais sugerem que a agonia dos civis está prestes a se aprofundar”, alertou a comissão em comunicado à imprensa.
“Os civis mantidos em bairros controlados por grupos armados descrevem vidas de horror, sob ameaça quase constante de morte por ataques aéreos. Há escassez de comida, água e suprimentos para bebês e crianças. Acesso a cuidados médicos nessas áreas é, em grande parte, inexistente”, ressaltou a comissão.
Na área controlada pelo governo, a situação dos civis é igualmente difícil. Dezenas foram mortos por bombardeios indiscriminados de grupos armados, como coalizões incluindo Ahrar al-Sham, Jaysh al-Islam e o grupo terrorista Jabhat Fatah al-Sham (anteriormente Jabhat al-Nusra) em ofensivas contra o ataque do governo.
A comissão também observou que os corredores humanitários, caso sejam implantados, precisam ser executados em conformidade com os princípios humanitários fundamentais. De acordo com o grupo, civis que ficarem devem ter acesso irrestrito à assistência humanitária vital.
“Independentemente da existência de corredores humanitários, a obrigação das partes em conflito de não direcionar ataques a civis permanece,” acrescentou.
Sublinhando que até mesmo as ”guerras têm regras”, a comissão afirmou que os ataques à cidade de Alepo, mesmo de acordo com as leis da guerra, só vão devastar ainda mais a população civil.
“Até esse momento, e diante de nossos olhos, homens sírios, mulheres e crianças continuam pagando o preço mais alto”, alertou a comissão, pedindo que os Estados-membros das Nações Unidas, especialmente os que apoiam as partes em conflito, pressionem o retorno às negociações políticas.