O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que preside comissão, lembrou também que “há plena impunidade na Síria. Todas as partes cometem violações terríveis”.

Crianças brincam com um tanque destruído do exército sírio em Aleppo. Foto: UNICEF/Romenzi
O presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria pediu enfaticamente na última sexta-feira (25) aos países-membros da ONU que deixem de fornecer armas para todos os lados envolvidos no conflito. Antes de uma reunião informal com o Conselho de Segurança, o líder da Comissão, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, sublinhou que não existe uma solução militar para o conflito e ecoou os pedidos do secretário-geral de que seja imposto um embargo de armas no país.
“Esta corrida armamentista deve ser interrompida. Gostaríamos que os diferentes países-membros interrompam o seu apoio em termos de armas e material bélico para ambos os lados”, disse Pinheiro, ressaltando que o bombardeio de populações civis pela força aérea síria e grupos armados não estatais continua, junto com o lançamento de foguetes e casos de tortura.
“Há plena impunidade na Síria. Todas as partes cometem violações terríveis e ninguém está respondendo por estes atos”, disse Pinheiro, observando que cabe ao Conselho de Segurança referir a Síria ao Tribunal Penal Internacional (TPI) ou estabelecer um tribunal especial, mas até o momento nenhuma ação foi tomada.
O conflito, que já se encontra em seu quarto ano, continua deixando os responsáveis impunes, notou o brasileiro, acrescentando que a Comissão continua documentando dados e recolhendo provas que irão ser usadas um dia para julgar aos culpados. “Vamos continuar dizendo ao Conselho que a vitória é uma ilusão, não há solução militar, apenas uma solução negociada”, ressaltou.
Criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em agosto de 2011, a Comissão também inclui os especialistas Karen Koning AbuZayd, Carla Del Ponte e Vitit Muntarbhorn. O grupo foi incumbido de investigar e registrar todas as violações do direito internacional dos direitos humanos durante o conflito na Síria. A Comissão deverá apresentar um novo relatório ao Conselho de Direitos Humanos no próximo 17 de setembro.