Caminhões levando comida muitas vezes são impedidos de passar ou até mesmo sequestrados. Aumento do número de pessoas que fogem do país também preocupa e campos de refugiados no Iraque estão superlotados.

Crianças deslocadas sírias brincam entre tendas no campo de refugiados de Domiz, no Iraque. Foto: ACNUR/B. Sokol
O ciclo crescente de violência na Síria está impedindo que a ajuda alimentar alcance milhões de pessoas vulneráveis, alertou o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) nesta terça-feira (2), reiterando o seu apelo a todas as partes para permitir que a ajuda humanitária passe com segurança em áreas disputadas.
“Tornou-se uma luta agora transportar alimentos de uma área para a outra, com os nossos armazéns e caminhões sendo cada vez mais pegos no fogo cruzado”, relatou o Coordenador Regional do PMA no país, Muhannad Hadi.
Hadi lamentou que algumas vezes o envio de comida para um lugar em extrema necessidade seja cancelado pela falta de segurança.
Desde o início da operação do PMA, em dezembro de 2011, já foram registrados mais de 20 ataques a seus caminhões, armazéns e carros. Também há casos de caminhões contratados que são parados em postos de controle e, muitas vezes, obrigados a voltar, ou até mesmo sequestrados.
Apesar dos enormes desafios, a assistência alimentar do PMA atingiu cerca de 2 milhões de pessoas no mês passado.
Os sírios que decidiram fugir do país para escapar do conflito também encontram dificuldades. No Iraque, os campos de refugiados estão superlotados e, com novas pessoas chegando a cada dia, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) está pedindo mais espaço e apoio aos deslocados internos e de outros países.
Na região do Curdistão iraquiano, a taxa de chegada dos refugiados sírios dobrou em apenas três meses, chegando a uma média de 800 a 900 pessoas por dia.
“A necessidade de espaço para novos campos e para descongestionar os existentes é de fundamental importância”, observou o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, destacando que a superlotação dos campos e o aumento das temperaturas está aumentando as tensões e a proliferação de doenças entre os refugiados.
Desde o início da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, mais de 70 mil pessoas — a maioria civis — foram mortas e mais de 3 milhões deslocadas.
Além disso, o ACNUR afirmou que o número de sírios que se refugiaram em outros países é de até 1.217.782 pessoas, com dados fechados até 28 de março.