Síria: enviado da ONU defende pausa humanitária de 48h

O plano de resposta de emergência em Alepo, já apoiado pela Rússia, tem três elementos: enviar dois comboios carregando alimentos suficientes para 80 mil pessoas no leste de Alepo, distribuir simultaneamente suprimentos no oeste da cidade e usar a pausa humanitária para reparar os sistemas elétricos no sul da cidade, que atendem 1,8 milhão de pessoas, assim como o fornecimento de água no leste e oeste.

Menina em campo de refugiados de Bab Al Salame, perto da fronteira com a Turquia em Alepo. Foto: UNICEF

Menina em campo de refugiados de Bab Al Salame, perto da fronteira com a Turquia em Alepo. Foto: UNICEF

O enviado especial da ONU para a crise na Síria, Staffan de Mistura, defendeu na quinta-feira (25) a necessidade de uma pausa humanitária de 48 horas na Síria para enviar ajuda a Alepo e declarou que a Rússia já está apoiando o plano.

“Estamos prontos, os comboios estão prontos e eles podem sair a qualquer momento que recebermos a mensagem”, disse Mistura a jornalistas em Genebra, onde as negociações sobre ajuda humanitária e cessar de hostilidades ocorrem.

As forças-tarefa para esses dois temas, criadas pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês), reuniram-se separadamente desde o início deste ano. A Rússia e os Estados Unidos presidem conjuntamente o grupo, que reúne ONU, Liga Árabe, União Europeia e outros 16 países.

Mistura afirmou que a Rússia já apoiou a pausa humanitária em Alepo, e que comboios humanitários aguardam que outros “façam o mesmo”.

O enviado da ONU, que tem mediado negociações de paz na Síria, não comentou o cenário político no país, mas lembrou que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergey Lavrov, reúnem-se nesta sexta-feira em Genebra, uma reunião que segundo ele certamente “terá impactos” no curso das discussões do grupo de apoio ao país.

O assessor especial da ONU para o enviado na Síria, Jan Egeland, afirmou que o plano de resposta de emergência em Alepo tem três elementos: enviar dois comboios de 20 caminhões cada carregando alimentos suficientes para 80 mil pessoas no leste de Alepo, ter distribuições simultâneas no oeste da cidade e usar a pausa de 48 horas para reparar os sistemas elétricos no sul, que atendem 1,8 milhão de pessoas, assim como o fornecimento de água no leste e oeste da cidade.

Sobre outras regiões da Síria, Egeland afirmou que se passaram 116 dias desde que a última ajuda humanitária atingiu as cidades de Mandaya, Zabadani, Foah e Kafraya.  “O único vislumbre de esperança” foi uma evacuação recente de 40 crianças desses locais, com exceção de Zabadani, disse.

A ONU estima que em cinco anos, o conflito levou 4,8 milhões de refugiados para países vizinhos, centenas e milhares na Europa, e deslocou 6,6 milhões de pessoas na Síria, em meio a uma população pré-guerra de 20 milhões de pessoas. Estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham morrido até agora no conflito.