Plano de ação é baseado no ‘comunicado de Genebra’, que prevê um governo de coalizão entre todas as partes envolvidas no conflito e o monitoramento de um possível cessar-fogo. No sábado (29), o negociador visita a Rússia.
Plano de ação é baseado no ‘comunicado de Genebra’, que prevê um governo de coalizão entre todas as partes envolvidas no conflito e o monitoramento de um possível cessar-fogo. No sábado (29), o negociador visita a Rússia.
Pedido “mudança real” na Síria, o Representante Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Estados Árabes para o país devastado pela guerra, Lakhdar Brahimi, disse ontem (27) que um governo sírio de transição com poderes executivos plenos deve ser criado até que eleições possam ser realizadas.
Falando em Damasco, capital síria, Brahimi também sugeriu a implantação de uma força de paz internacional para o país com o objetivo de monitorar um acordo de paz que acabe com a violência que já matou dezenas de milhares de sírios.
“A Síria e o povo sírio precisam, querem e esperam uma mudança real. E o significado disso é claro para todos”, disse Brahimi a jornalistas no final de uma viagem de cinco dias ao país, durante a qual se reuniu com o líder do regime Bashar al-Assad.
O pedido de Brahimi reflete um plano que surgiu há seis meses, a partir de um encontro internacional em Genebra sobre a Síria para o estabelecimento de um governo de unidade nacional, que tem sido dominado pela violência desde que os protestos que começaram contra Assad há 21 meses. As manifestações se transformaram em uma revolta em meio a uma repressão por parte das autoridades.
Desde o lançamento do chamado “comunicado de Genebra”, forças de oposição a Assad ganharam território, bem como uma série de instalações militares no norte da Síria, segundo relatos da imprensa. Alguns grupos também informaram que estão expandindo a sua presença em Damasco.
Brahimi disse que um fracasso por parte dos sírios na busca de uma solução para o conflito significava que a comunidade internacional precisava intensificar os seus esforços coletivos para ajudá-los.
“A solução é agregar pontos de vista sírios”, disse ele. “Se os sírios são incapazes de fazer isso por conta própria, então a comunidade internacional, seus vizinhos e todos os demais devem ajudá-los a fazê-lo e ajudá-los a fazê-lo bem.”
Encontro com autoridades russas no sábado
O Enviado da ONU e da Liga Árabe estará em Moscou, Rússia, neste sábado (29) para negociações. Ele disse que pretende realizar reuniões adicionais com os Estados Unidos e as autoridades russas após duas rodadas anteriores de conversações com altos funcionários destes países no início deste mês. “Esses dois países têm influência e uma responsabilidade global, o que os qualifica para ajudar na busca de soluções que esperamos na Síria”, disse Brahimi.
O funcionário observou que as estatísticas já não dão conta de todo o horror que se ocorre na Síria. “A verdade é que, quando se fala em números, eles parecem frios”, disse. “Quando alguém diz que há [quatro] milhões de [pessoas] deslocados internos, o que significa isso?”
Brahimi advertiu que as projeções atuais apontam o número de refugiados superior a 1 milhão até o meio do próximo ano, a partir dos meio milhão de refugiados registrados atualmente.
Além de encontros com Assad, Brahimi também se envolveu em uma série de reuniões na região e em outros lugares, como parte de seus esforços para alcançar uma solução política negociada para acabar com os combates na Síria.
Ele já declarou anteriormente que um processo de paz poderia se basear no comunicado de Genebra, emitido após reunião na cidade suíça do chamado Grupo de Ação para a Síria, no final de junho, e que estabelece passos estratégicos em um processo para acabar com o violência na Síria.
Entre outros itens, o comunicado de Genebra pediu a criação de um organismo de transição de governo, com poderes executivos plenos e composto por membros do atual governo e da oposição e outros grupos, como parte de princípios e orientações acordados para uma política de transição liderada pelos sírios.
O Grupo de Ação é composto pelos secretários-gerais da ONU e da Liga Árabe, os ministros de Relações Exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos –, bem como a Ministro de Relações Exteriores turco, o Alto Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança e os ministros de de Relações Exteriores do Iraque, Kuwait e Catar, com papéis definidos pela Liga Árabe.