“A comunidade internacional deve responder com urgência e reforçar o apoio às agências humanitárias que trabalham incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhões”, disse relator especial da ONU.

ONU distribui água na periferia de Damasco, capital da Síria. Foto: UNRWA
O relator especial independente das Nações Unidas sobre os direitos humanos das pessoas deslocadas internamente, Chaloka Beyani, descreveu nesta terça-feira (26) a crise do deslocamento na Síria como “impressionante em suas proporções” e exigiu uma resposta urgente e coordenada do governo da Síria e das organizações humanitárias nacionais e internacionais que trabalham em estreita parceria.
“A situação na Síria se transformou na maior crise de deslocados do mundo, com cerca de 7,6 milhões de pessoas atualmente deslocadas internamente. As perspectivas de novos deslocamentos são elevadas dada a instabilidade em muitas partes do país”, alertou Beyani depois de sua missão oficial ao país.
“É também uma crise extremamente complexa e desafiadora de se responder tendo em vista o conflito em curso, os atos de terrorismo e a situação geral de segurança, assim como fatores que impedem uma resposta eficaz, incluindo o atual déficit de financiamento internacional para a assistência humanitária essencial e os efeitos das sanções internacionais.”
Beyani elogiou a atuação do governo até agora para responder às necessidades dos deslocados internos. “No entanto”, disse ele, “eu temo que eu tenha visto apenas a ponta de um iceberg de um deslocamento maciço na Síria.”
“Aqueles que eu vi são provavelmente aqueles locais relativamente seguros e com as condições e serviços adequados. Estou profundamente preocupado com a situação de muitas mais centenas de milhares de deslocados internos e famílias de acolhimento sobrecarregados enfrentando terríveis circunstâncias, a insegurança e a falta de necessidades básicas”, completou Beyani.
O especialista ressaltou que a principal responsabilidade recai sobre o governo da Síria, mas reconheceu que a nação “inegavelmente enfrenta uma tarefa imensa e não pode lidar sozinha com ela”.
“Fiquei chocado ao saber com agências das Nações Unidas que o financiamento para a assistência humanitária essencial atualmente chega a apenas 18% do necessário”, disse. “A comunidade internacional deve responder com urgência e reforçar o apoio às agências humanitárias que trabalham incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhões de pessoas inocentes afetadas pela crise do deslocamento na Síria.”