Há grave escassez de suprimentos médicos nas unidades de saúde. A maioria das escolas foi danificada e 25 mil crianças em idade escolar não vão para as aulas há dois anos.

Programa Mundial de Alimentos (PMA) entrega comida em Aleppo, Síria. Foto: OCHA/Gemma Connell
A ONU afirmou nesta terça-feira (14) que a cidade síria de Houla, palco de um massacre de mais de 100 pessoas em maio de 2012, encontra-se sob uma grave escassez de alimentos, água, suprimentos médicos e combustível, de acordo com uma missão interagencial das Nações Unidas.
As provisões da aldeia tinham sido quase que completamente cortadas por muitos meses, de acordo com Marixie Mercado, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que participou da ação da missão interagencial no último domingo (12).
“A equipe do UNICEF encontrou uma grave escassez de suprimentos médicos nas quatro unidades de saúde em funcionamento parcial”, disse Mercado a jornalistas em Genebra, na Suíça. As principais doenças relatadas incluem infecções das vias respiratórias superiores, sarna, piolhos, diarreia e algumas doenças mentais. O abastecimento de água era limitado e não havia combustível para os sistemas de recursos hídricos.
Mercado disse que 31 das 41 escolas em Houla foram danificadas e nenhuma das cerca de 25 mil crianças em idade escolar foram à aula nos últimos dois anos. A população foi estimada em cerca de 70 mil pessoas, sendo que metade foi deslocada.
De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a missão acompanhou a distribuição de suprimentos por um comboio interagencial, que deixou o local no dia 8 de maio e consistiu em nove caminhões com alimentos, itens de higiene e abastecimento de água suficientes para 25 mil pessoas. Devido à insegurança, essa foi a primeira distribuição em 10 meses.
Em razão das crescentes necessidades na Síria, o PMA afirmou serem necessários 19,5 milhões de dólares por semana para cobrir as necessidades das operações no país e em seus vizinhos.
O conflito na nação da capital Damasco começou em março de 2011 por conta dos levantes contra o presidente Bashar al-Assad e já matou mais de 70 mil pessoas. A ONU estima que cerca de 6,8 milhões de pessoas estão sob necessidades humanitárias, com 4,25 milhões deslocadas internamente e 1,3 milhão procurarando refúgio nos países vizinhos.