Atualmente, ACNUR e parceiros arcam com 85% dos custos de atendimento médico dos refugiados no Líbano. Em média, 8 mil pessoas chegam a países vizinhos todos os dias.
Atualmente, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e parceiros arcam com 85% dos custos de atendimento médico dos refugiados no Líbano. Em média, 8 mil pessoas chegam a países vizinhos todos os dias.
Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres reúne-se com refugiados sírios que vivem perto de Ketermaya, no sul do Líbano. Foto: ACNUR/M.Fleming
O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, reiterou nesta sexta-feira (15) seu apelo para que governos criem fundos especiais para ajudar refugiados sírios e os países que os acolhem.
Falando para jornalistas em Beirute no segundo aniversário do conflito sírio, ele alertou para a instabilidade da região se novos recursos para atender os sírios forem negados pelos países ou não estiverem disponíveis imediatamente.
Guterres disse que existe uma lacuna crescente entre as necessidades e os recursos disponíveis. “Não há como uma diferença nesta proporção ser preenchida com o montante humanitário atual”, enfatizou, acrescentando que a tragédia na Síria “é uma ameaça à paz e segurança internacionais”. Se o conflito continuar, alertou Guterres, “o Oriente Médio poderá entrar em convulsão”.
O Alto Comissário disse que existe um buraco de US$ 700 milhões entre o que é necessário para que organizações humanitárias, como o ACNUR, precisam para responder às necessidades básicas de mais de 1,1 milhão de refugiados e o que foi arrecadado até agora. “Existe um déficit de 70%”, informou.
Ele se mostrou otimista de que os recursos comprometidos pelos países que participaram da última conferência no Kuwait, realizada em fevereiro, estejam disponíveis rapidamente e sejam direcionados às respostas humanitárias das Nações Unidas.
Guterres também pediu que a comunidade internacional faça mais pelos governos de países que estão acolhendo estes refugiados. O Líbano, que hospeda mais de 350 mil refugiados sírios, testemunhou um aumento de 10% na sua população no último ano. “Este conflito é uma ameaça existencial para o país”, disse o Alto Comissário.
Desafios crescentes
Em encontros com refugiados em Ketermaya, ao sul de Beirute, e em Trípoli, Guterres ouviu relatos sobre os desafios que enfrentam em encontrar abrigo e pagar os altos aluguéis. O déficit de financiamento na operação com os sírios têm incentivado projetos inovadores na identificação de novas formas de abrigo e manutenção das acomodações existentes.
Famílias refugiadas disseram ao Alto Comissário que suas crianças ficaram dois anos sem estudar. Parceiros como o UNICEF organizaram aulas de apoio em algumas regiões do Líbano, mas gostaria que mais crianças pudessem participar.
Guterres se encontrou com um grupo de 15 famílias acolhidas por um fazendeiro libanês. Foto: ACNUR/E.Dorfman
Especialistas em saúde relataram a Guterres sobre os riscos de diarreia, hepatite A e sarna se os projetos de saneamento básico e abastecimento de água não forem financiados o mais rápido possível. Atualmente, o ACNUR e seus parceiros estão arcando com 85% dos custos de atendimento médico dos refugiados atendidos nos centros de saúde. “O Líbano precisa de apoio massivo”, disse. “O país não pode ficar sozinho.”
O Plano Regional de Resposta para os Refugiados Sírios, orçado em 1 bilhão de dólares, detalha a resposta coordenada de 55 ONGs e agências da ONU, lideradas pelo ACNUR. Existem atualmente 1,126 milhões de sírios refugiados já registrados ou aguardando o procedimento de registros na Jordânia, Líbano, Iraque, Turquia e Egito. Em média, 8 mil novos refugiados chegam a estes países todos os dias.
Guterres está na última parte de sua visita à região. No começo desta semana ele visitou a Turquia e a Jordânia.