Síria: Negociações de paz mediadas pela ONU serão retomadas dia 9 de março

Principal objetivo é implementação da resolução 2254 (2015) do Conselho de Segurança, que reforça o papel da ONU na mediação do conflito e prevê uma transição política liderada pelo povo sírio, endossando um calendário para um cessar-fogo, uma nova Constituição e eleições.

Enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, atualiza a imprensa sobre as negociações de Genebra que buscam encerrar a sangrenta guerra na Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, atualiza a imprensa sobre as negociações de Genebra que buscam encerrar a sangrenta guerra na Síria. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, anunciou nesta terça-feira (9) que as negociações de paz que buscam encerrar o conflito no país, mediadas pela ONU em Genebra, serão retomadas na próxima quarta-feira, 9 de março.

Após o reinício das negociações em janeiro deste ano, Mistura determinou uma pausa no último dia 3 de fevereiro após desentendimentos entre governo e oposição delegações sobre questões humanitárias.

O anúncio da retomada das conversações vem poucos dias depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado por unanimidade um endosso a uma declaração conjunta anunciada na semana anterior sobre os termos de um cessar-fogo que começou no último sábado (27).

A declaração havia sido foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Sergey Lavrov, que atuam como copresidentes de um grupo de trabalho sobre o cessar-fogo, vinculado ao Grupo de Apoio Internacional à Síria (ISSG).

Adotando uma nova resolução, o Conselho de Segurança exigiu também que todas as partes envolvidas na cessação das hostilidades cumpram seus compromissos. O órgão da ONU instou todos os Estados-membros, especialmente os membros ISSG – a Liga Árabe, a União Europeia, as Nações Unidas e 17 países, incluindo EUA e Rússia –, a usar sua influência junto às partes para assegurar o cumprimento desses compromissos e apoiar os esforços “para criar condições para um cessar-fogo duradouro”.

O Conselho exigiu também a implementação “total e imediata” da sua resolução 2254 (2015), que facilita uma transição política liderada pelos sírios, a fim de acabar com o conflito, sublinhando mais uma vez que é a população síria que decidirá sobre o futuro de Síria”.

O texto, aprovado por unanimidade em dezembro, deu à ONU um papel reforçado na mediação dos lados opostos para uma transição política, endossando um calendário para um cessar-fogo, uma nova Constituição e eleições.

No anúncio de hoje, o enviado da ONU disse que está ansioso pelo engajamento das partes sírias em discussões sérias, com o objetivo de implementar a resolução 2254.

Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que está em visita oficial a Genebra, realizou uma reunião com o chanceler russo. Segundo um comunicado da Organização, ambos concordaram com a importância de “progredir com urgência” simultaneamente na implementação do acordo de cessação das hostilidades, na prestação de assistência humanitária vital aos civis e na retomada das negociações políticas.