Bombardeios aéreos deixaram mais de 45 mortos. Dois dos centros médicos atacados recebiam apoio do UNICEF. Uma das clínicas atingidas era um hospital pediátrico e materno, onde 13 pessoas morreram. Ataques ocorreram em Azaz, na província de Aleppo, e na cidade de Maarat al-Numan, Idlib. A escola atingida abrigava deslocados internos do país.

Prédio danificado em região da província de Aleppo, na Síria. Foto: OCHA / Gemma Connell
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou “grave preocupação”, nesta terça-feira (16), a respeito dos ataques aéreos que atingiram na véspera (15) pelo menos quatro hospitais e uma escola nas províncias de Aleppo e Idlib, na Síria. Mais de 45 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas.
Um dos centros médicos de Idlib, que recebe apoio da organização “Médicos Sem Fronteiras” e fica localizado na cidade de Maarat al-Numan, foi atingido com quatro mísseis, provocando a morte de nove pessoas e deixando outras 30 feridas. O Hospital Nacional do município também foi alvo de ataques, que deixaram três mortos.
Na cidade de Azaz, em Aleppo, um hospital pediátrico e materno, apoiado pela ONU, também foi alvejado. Informações indicam que 13 pessoas foram mortas. A instalação já havia sido atacada anteriormente, em 25 de dezembro de 2015. O centro médico fica a 30km da capital homônima da província de Aleppo. O Hospital Geral de Azaz foi igualmente bombardeado. Sete pessoas morreram e 23 ficaram feridas. Também na cidade, uma escola que abrigava pessoas internamente deslocadas foi atingida. Ataques mataram 14 sírios.
O porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, destacou que a escalada de confrontos dentro e em torno de Aleppo tem preocupado o Alto Comissariado. Operações aéreas realizadas por aviões russos e do governo sírio e investidas no terreno conduzidas pelas autoridades, mas também por grupos de oposição armados, levaram à destruição da infraestrutura civil essencial.
Colville lembrou que uma das “tendências mais insidiosas” da guerra na Síria é a violência contra equipes de saúde. Ataques a hospitais remontam ao início de 2012. O representante da ONU disse que, a depender das circunstâncias, um bombardeio aéreo a um centro médico pode ser considerado um crime de guerra. De acordo com o porta-voz, ainda não se tem certeza se os ataques de segunda-feira (15) foram propositais e atingiram os hospitais e a escola intencionalmente.
O UNICEF, que prestava apoio a duas das instalações alvejadas, também se pronunciou a respeito dos ataques. O diretor executivo da agência da ONU, Anthony Lake, afirmou ter ficado “chocado” após receber relatos das investidas e ressaltou que, na Síria, um terço dos hospitais e um quarto das instituições de ensino pararam de funcionar devido aos conflitos.
Cerca de 4 milhões de crianças e jovens no país e em comunidades anfitriãs precisam de assistência educacional. Desse contingente, 2,1 milhões estão dentro da Síria e 700 mil estão na Turquia, no Líbano, na Jordânia, no Iraque e no Egito sem frequentar escolas.