Estima-se que cerca de 13,5 milhões de sírios necessitam atualmente de ajuda humanitária e proteção. No mês de maio, a ajuda por terra, prevista para alcançar 1 milhão de pessoas, atingiu somente 160 mil devido a restrições de segurança impostas à ONU e parceiros humanitários.

Subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien (à direita), se encontra com pessoal médico em Hatay, Turquia, na fronteira com a Síria. Foto: OCHA
Após as fortes palavras sobre o compartilhamento de responsabilidades pelos refugiados, proferidas na Cúpula Mundial Humanitária, chegou a hora de exigir que elas sejam transformadas em ação significativa.
Por meio de um comunicado de imprensa no final de maio pouco antes de uma reunião no Conselho de Segurança, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, pediu uma maior assistência aos sírios em situação de necessidade.
“Nosso desafio é tanto para ampliar a assistência para que chegue a todas as pessoas necessitadas, como também apoiar os esforços daqueles tentando trazer um desfecho para a crise. Precisamos dar aos sírios a esperança real de um futuro melhor”, destacou O’Brien.
São cerca de 6,5 milhões de pessoas que estão deslocadas internamente, e outras 5 milhões que fugiram para outros países em busca de segurança. A ONU estima que 13,5 milhões de sírios em toda a região estão, de alguma forma, necessitando de assistência humanitária e proteção.
O subsecretário-geral, que também é coordenador da Ajuda de Emergência da ONU, visitou diversas localidades na Turquia, incluindo a cidade de Hatay, um orfanato em Reyhanli e a região fronteiriça próxima a Bab al Hawa.
Depois de discutir os avanços e desafios na prestação de ajuda com o governador de Hatay, bem como com representantes de ONGs internacionais e locais, e conversar com órfãos e trabalhadores humanitários, o coordenador prometeu levar as histórias das pessoas que conheceu para o Conselho de Segurança, a fim de destacar a situação “trágica e cada vez pior” na Síria.
Apesar dos progressos para se alcançar milhões de sírios, muitos programas permanecem criticamente subfinanciados. O’Brien instou os doadores a cumprir suas promessas de financiar as atividades de ajuda e proteção, projetadas para ajudar as pessoas mais vulneráveis ao longo de 2016.
Ataques indiscriminados a civis continuam
O chefe humanitário disse ao Conselho de Segurança da ONU que ele se mantém particularmente preocupado com o aumento da violência em várias partes do país e com seu impacto sobre os civis.
“Os ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas civis, incluindo escolas e hospitais, mesquitas e mercados públicos, continuam impunes e em total desrespeito ao direito humanitário internacional”, disse.
Segundo O’Brien, “o isolamento e o uso da fome como uma arma de guerra é condenável”, estimando que mais de 592 mil pessoas vivem atualmente em áreas sitiadas.
O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, informou ao Conselho de Segurança da ONU no final de maio que pretende retomar a rodada de conversas e negociações “o mais rápido possível”, mas certamente não antes de duas ou três semanas.
De Mistura afirmou que irá manter um contato estreito e contínuo com os grupos na Síria, bem como com os membros do Grupo Internacional de Apoio à Síria, antes de determinar o “momento adequado” para convocar as partes para Genebra.
Em um relatório entregue ao Conselho, ele enfatizou que se não houver nenhum movimento em algumas das muitas áreas que necessitam ser alcançadas por terra, a opção de transporte e lançamento aéreo de suprimentos “deve ser seriamente levada em conta”. Nesta semana a ONU já começou a usar esta alternativa.
O enviado lembrou que só 160 mil pessoas foram alcançadas por terra no mês de maio. A previsão era de que se alcançasse 1 milhão de pessoas.