Lamentando a propagação das hostilidades em toda a cidade síria de Alepo, a ONU pediu que todas as partes envolvidas no conflito interrompam os ataques indiscriminados contra civis e respeitem o direito internacional humanitário. De 8 a 11 de julho, 57 pessoas foram mortas na região, incluindo 15 crianças, e pelo menos 497 ficaram feridas.

Menina em campo de refugiados de Bab Al Salame, perto da fronteira com a Turquia em Alepo. Foto: UNICEF
Lamentando a propagação das hostilidades em toda a cidade síria de Alepo, a ONU pediu na quarta-feira (13) que todas as partes envolvidas no conflito interrompam os ataques indiscriminados contra civis e respeitem o direito internacional humanitário. De 8 a 11 de julho, 57 pessoas foram mortas na região, incluindo 15 crianças, e pelo menos 497 ficaram feridas.
“A ONU está profundamente preocupada com a escalada da violência dentro e ao redor da cidade de Alepo, que tem colocado centenas de milhares de pessoas em risco de morte e de graves ferimentos”, disse Yacoub El Hillo, residente da ONU e coordenador humanitário na Síria, e Kevin Kennedy, coordenador regional humanitário para a crise no país, em comunicado.
A ONU ainda solicitou que todas as partes permitam a entrega de ajuda humanitária, conforme exigido pelas resoluções do Conselho de Segurança, bem como facilitem a evacuação rápida, segura e sem obstáculos de civis que desejam sair.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), desde 7 de julho, confrontos intensos entre as forças do governo da Síria e os grupos armados tornaram a estrada Castello — a última via de acesso ao leste de Alepo — intransitável.
Desde então, o governo e as forças curdas têm ganhado o controle da maior parte da estrada, impossibilitando o movimento humanitário, comercial e civil e colocando cerca de 200 a 300 mil pessoas mais perto da linha de fogo e em risco de isolamento. Segundo a ONU, mesmo antes da recente escalada de violência, cerca de 10 a 30 mil pessoas fugiram da região entre janeiro e junho devido ao aumento da insegurança.
Degradação das condições humanitárias nas cidades sírias
O coordenador residente humanitário da ONU para a Síria, Yacoub El Hillo, manifestou, no início de julho, profunda preocupação com os relatos da piora das condições humanitárias e sobre as necessidades emergenciais de evacuação médica nas cidades de sírias de Madaya, Foah, Zabadani e Kefraya, onde mais de 62 mil pessoas estão sitiadas.
Em toda a Síria, cerca de 5,5 milhões de pessoas passam por necessidades em áreas isoladas e têm acesso limitado à ajuda básica e proteção. Desse total, cerca de 600 mil estão em 18 áreas sitiadas, incluindo as quatro cidades.
“Embora as partes envolvidas no ‘Acordo das Quatro Cidades’ tenham se comprometido em assegurar a assistência humanitária aos civis presos na região, não temos sido capazes alcançá-los desde abril”, observou El Hillo, pedindo que o acesso imediato e incondicional aos agentes humanitários seja realizado o quanto antes.
De acordo com o coordenador, apesar de as autoridades sírias terem autorizado, em maio e em junho, que a ONU e parceiros humanitários prestassem assistência aos civis sitiados nas quatro cidades, o acesso não foi possível devido à tensão entre as partes, bem como aos bombardeios aéreos ocorridos em Idleb, Foah e Kefraya.
No dia 4 de julho, no entanto, o governo da Síria autorizou mais uma vez a prestação de assistência humanitária às cidades, permitindo que a ONU e parceiros tivessem uma “única oportunidade” para alcançar as pessoas sitiadas durante as Festas do Sacrifício.
O coordenador humanitário ainda enfatizou que a ONU está fortemente preocupada com os atrasos na realização de evacuações médicas urgentes nas quatro cidades.
“Nossas equipes estão prontas para prosseguir com a evacuação de doentes e feridos. Pedimos às partes que nos deixem ajudar os mais vulneráveis”, acrescentou.
Sírios enfrentam pobreza intensa em países de acolhimento
O contingente de refugiados sírios que vivem em condições críticas de pobreza continua aumentando nos países de acolhimento na região, advertiu o relatório Plano Regional para Refugiados e Resiliência 2016 divulgado no início de julho pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e outras organizações nacionais e internacionais.
De acordo com o documento, no Líbano, por exemplo, a média da dívida de cada família refugiada subiu no primeiro trimestre deste ano. O número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza chegou a 70% em comparação aos 50% de 2014.
Na Jordânia, por sua vez, 90% dos refugiados sírios registrados nas áreas urbanas vivem abaixo da linha de pobreza e 67% das famílias têm dívidas. Mais de 62 mil refugiados vivem também em condições miseráveis no Egito.
Segundo a agência da ONU, com o conflito na Síria entrando no seu sexto ano, os governos e as comunidades que estão abrigando os sírios são os que mais sofrem o peso econômico, político, social e de segurança. As instituições públicas desses países estão em pressão extrema para fornecer serviços básicos a um número cada vez maior de pessoas vulneráveis.
O principal objetivo do Plano Regional para Refugiados é investir em serviços e sistemas nacionais nos países que abrigam refugiados. De acordo com a ONU, dos 4,5 bilhões de dólares solicitados pelas agências para cobrir as operações de ajuda nessas regiões, só foram recebidos, até dia 31 de maio, 30% desse valor.