Síria: ONU realoca temporariamente parte dos funcionários devido à insegurança

Um porta-voz da Organização informou que diversos morteiros caíram neste domingo (24) e segunda-feira (25) nas proximidades e na área interna de um hotel em Damasco em que estavam funcionários das Nações Unidas.

Uma mulher em Damasco, capital síria, recebe seus rações de emergência do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Foto: PMA/Abeer Etefa

Uma mulher em Damasco, capital síria, recebe seus rações de emergência do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Foto: PMA/Abeer Etefa

As Nações Unidas anunciaram nesta segunda-feira (25) que estão temporariamente realocando alguns funcionários de sua equipe internacional na Síria para fora do país devido às condições de segurança.

Um porta-voz da Organização, Martin Nesirky, disse a jornalistas em Nova York que diversos morteiros caíram neste domingo (24) e segunda-feira (25) nas proximidades e na área interna de um hotel em Damasco em que estavam funcionários das Nações Unidas. O fogo de morteiro causou alguns danos ao prédio e a alguns carros no estacionamento, incluindo um veículo da ONU.

“A Equipe de Gestão de Segurança das Nações Unidas avaliou a situação e decidiu reduzir temporariamente a presença de pessoal internacional em Damasco, devido às condições de segurança. Nós também estamos explorando locais mais seguros”, afirmou.

“As Nações Unidas atribuem grande importância à segurança de todos os seus funcionários – nacionais e internacionais. Com isso em mente, estamos temporariamente realocando alguns dos funcionários internacionais da ONU na Síria para fora do país.”

Como parte desse esforço, Nesirky disse que a maioria do pessoal baseado em Damasco do Escritório do Representante de Conjunto para a Síria, Lakhdar Brahimi, está se mudando temporariamente para Beirute, no Líbano, e para a sede do Representante Especial Conjunto no Cairo. Todos da equipe nacional do escritório foram convidados a trabalhar a partir de casa, até novo aviso.

“Essas medidas estão sendo realizadas exclusivamente por razões de segurança”, disse o porta-voz. “As Nações Unidas continuam ativas e comprometidas em ajudar ambos os lados da Síria na busca de uma solução política.”

Há cerca de 100 funcionários internacionais e 800 nacionais em Damasco trabalhando nos escritórios do Representante Especial Conjunto, do Coordenador Residente, no Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e nas diversas agências e programas da ONU.

Nesirky acrescentou que as agências da ONU e seus parceiros também permanecem comprometidos a prover assistência a milhões de pessoas necessitadas em toda a Síria.

Mais de 70 mil pessoas foram mortas e mais de 3 milhões de deslocadas desde o início da revolta contra o Presidente al-Assad, em março de 2011. Cerca de 1,1 milhão de pessoas também foram forçadas a se refugiar em países vizinhos.

“A ONU vai manter dentro da Síria o número de funcionários e a capacidade necessários para continuar a executar os seus programas humanitários críticos e fornecer assistência aos civis em necessidade. Esta é uma prioridade para a ONU.”

Na semana passada, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou uma investigação independente sobre a alegada utilização de armas químicas na Síria. O foco inicial será um incidente envolvendo o suposto uso de armas químicas na vila de Khan al-Assal nos arredores de Alepo no dia 19 de março deste ano.