Estimativas indicam que, na Síria, haja 18 áreas sob cerco onde pessoas estão sem água e comida, como aconteceu em Madaya. Para o PMA, a prevenção da fome em massa não será alcançada com acordos pontuais.

Trabalho do PMA é dificultado por bloqueios e cercos em regiões que acabam ficando desprovidas de assistência. Foto: PMA / Hussam Al Saleh
Nesta quarta-feira (27), a apenas dois dias do início das negociações pela paz na Síria, o coordenador de Emergências das Nações Unidas, Stephen O’Brien,reforçou seus pedidos por um acesso livre e seguro das organizações humanitárias a regiões sitiadas do país. Estima-se que haja 18 áreas sob cerco onde pessoas estão sem água e comida, como aconteceu em Madaya. Em reunião com ao Conselho de Segurança, o dirigente destacou que as partes do conflito devem colocar o povo à frente da política, caso queiram acabar com a guerra.
Conflitos no país já mataram mais de 250 mil sírios e deixaram mais de um milhão de feridos. Cerca de 6,5 milhões de pessoas estão internamente deslocadas e quase 4,6 milhões fugiram do país, tornando-se refugiados. A população remanescente na Síria é estimada em 13,5 milhões e enfrenta necessidades extremas. O’Brien alertou o Conselho a respeito do risco de que o círculo vicioso de morte e destruição se torne o “novo normal”, quando se discute a situação do país.
O coordenador lembrou a situação horrenda da cidade de Madaya, cujas imagens de crianças passando fome teriam chocado a consciência coletiva do mundo. Apesar de negociações terem permitido à ONU, ao Crescente Vermelho Árabe Sírio e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha levar alimentos e materiais de saúde para mais de 60 mil pessoas no local e também em Zabadani, Foah e Kefraya, outras regiões na Síria permanecem sem assistência humanitária. Mesmo Madaya já sofre com a escassez de suprimentos médicos. O novo comboio planejado para ir ao local ainda não foi aprovado pelas autoridades sírias.
“Por que nós solicitamos acesso seguro de todas as partes, mas principalmente do governo sírio? Porque, embora esse Conselho tenha acordado uma resolução para permitir o acesso desimpedido e seguro, esse acesso nem sempre existe”, afirmou O’Brien. O coordenador da ONU disse que ambos os lados do conflito ou atrasam deliberadamente a entrega de assistência, ou obstruem a passagem de comboios humanitários.
Também presente na reunião, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin, solicitou que sejam organizadas pausas humanitárias e um cessar-fogo monitorado e incondicional. A chefe da agência da ONU reiterou a mensagem de O’Brien, quanto à necessidade de respeitar as resoluções do Conselho de Segurança, o qual já deliberou pela liberação do acesso de organizações humanitárias. “Prevenir a fome em massa requer mais do que um acordo envolvendo quatro cidades”, disse.
A respeito das negociações de paz previstas para a próxima sexta-feira (29), O’Brien, afirmou que sua esperança é de “que as partes interessadas fundamentais (do conflito), finalmente, tomem as decisões corajosas, ousadas e altruístas necessárias para pôr um fim a essa guerra desastrosa”.